Arquivado em: ego
Fiz o teste para saber qual livro eu sou e deu que sou uma biografia, mas especificamente, a da Carmen, escrita pelo Ruy Castro:
“Boa história é com você mesmo. Adora ouvir, contar, recontar. As de pessoas interessantes e revolucionárias são as suas preferidas. Tem gente que liga para você só para saber das últimas fofocas. E confesse: com seu jeitinho manso e detalhista, você dá aos fatos um sabor todo especial. Além disso, não se contenta em reproduzir o que já foi dito. Por isso, se fosse um livro, você só poderia ser uma boa biografia, daquelas que faz os leitores deitarem na rede do fim de semana e se entregarem às peripécias de uma grande personagem. Aliás, você já pensou na profissão de repórter? Ou de escritor?
“Carmen – Uma Biografia” (2005), sobre Carmen Miranda, é uma das aclamadas biografias publicadas por Ruy Castro, também jornalista e tradutor, considerado um dos maiores biógrafos brasileiros.“
O mais curioso é que esse teste é igual horóscopo, um monte de frase que a gente sabe que poderia valer pra qualquer pessoa, mas que mesmo assim a gente garante que foi escrita pra gente.
E esse livro me persegue desde que foi lançado, já tive várias a vezes com ele na mão pra leva-lo, mas sempre desisti. Já achei até por $30 num sebo. Antes, queria ler por causa da Carmen, que me faz explodir em:eu, sempre que boto pra tocar. Agora, quero ler pra me conhecer melhor. Rá.
Maribeth diz no Tempo Tempo Tempo Tempo: “A bênção Chico Buarque de Holanda por toda beleza e por toda sabedoria”. Acho uma descrição perfeita do que seja Chico Buarque de Holanda. E talvez das músicas que mais unam a sabedoria à beleza seja “A mais bonita”, uma letra aparentemente meiga, mas que diz tanto… Só amando muito pra saber a dimensão de versos como “pra saber como levar todos/ Os desejos que ele tem”…
Não, solidão, hoje não quero me retocar
Nesse salão de tristeza onde as outras penteiam mágoas
Deixo que as águas invadam meu rosto
Gosto de me ver chorar
Finjo que estão me vendo
Eu preciso me mostrar
Bonita
Pra que os olhos do meu bem
Não olhem mais ninguém
Quando eu me revelar
Da forma mais bonita
Pra saber como levar todos
Os desejos que ele tem
Ao me ver passar
Bonita
Hoje eu arrasei
Na casa de espelhos
Espalho os meus rostos
E finjo que finjo que finjo
Que não sei
Lembro muito de uma amiga que queria ouvir Mônica Salmaso cantando essa música, mas eu ainda continuo adorando a versão da Maribeth.
A tristeza da minha vida é ler na Folha que, longe de mim, os CCBBs do RJ e de SP estão fazendo uma retrospectiva do Woody Allen, com todos os filmes em película, por $4. Tristeza porque o Woody é a única coisa que me interessa em cinema.
Tentei escutar o tal disco da tal Tiê, mas as tais músicas são todas iguais, parece que você está escutando a mesma coisa. E tal.
Não me espantei com a declaração da Fernanda Young, dizendo que é um orgulho pro país ter alguém com oito romances publicados, posando pelada, como se não fosse qualquer pé-rapado que pudesse ser escritor. Não me assustei nem mesmo com a afirmação de que ela decidiu aparecer peladinha porque descobriu que homens se excitam com inteligência (sic). Me assustei foi com a xoxota bastante peluda dela.
Eu também me pergunto, com tanta pornografia à vontade na internet, por que o povo ainda perde tempo comprando revista?
Fernanda Drummond cravou essa semana o achado:
“não me priva dos teus olhos absurdos.”
E não precisa de mais nada, está tudo dito ali. Não precisa nem mesmo dela me contar que eram olhos de um azul impossível. A absurdez perde um pouco do efeito, quando associada à beleza da cor dos olhos. Prefiro deixar o “absurdo” com a vaguidão do verso. Repito: um achado!
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E meus olhos andam mal acostumados. Era pra eu estar em Belo Horizonte, agora. Mas vejam só como são as coisas: eu que nunca olho os emails de confirmação, nem os spams de web-checkin, resolvi ontem à noite, com a mala já arrumada, olhar. Sabe-se lá o porquê. E não é que comprei invertido? Ao invés de marcar Campinas-BH, selecionei de BH para Campinas. Resultado: tive que remarcar, pagando taxas e tarifas mais caras, e só viajo semana que vem.
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O que mais importa: é o amor outra vez.
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Bebel me explicando, no programa da Astrid:
Sonhando acordada lembrava do que então seria estar com você por um dia ou pra sempre… uhum
Por que há tantos kms nesse Brasil?
Oswald de Andrade nunca pareceu interessante para mim. Por causa de um preconceito. É que eu, como se existisse uma rivalidade excludente, achava o Mário e o Drummond os mais interessantes dos nossos Andrades-modernistas. Acho que talvez a preferência se deva à presença de um certo sentimento íntimo na poesia desses dois em contraposição ao humorismo racional do Oswald. Ou talvez porque minha apreciação estética se funda na dialética entre a minha posição ideológica reacionária e uma aceitação de que a boa arte é inevitavelmente revolucionária – não consigo discordar de Chklovski quando ele plasma o efeito estético como um “estranhamento”. No entanto, a literatura oswaldiana me incomodava por essa vontade a tudo custo de parecer revolucionária. Explico, Oswald se afigurava para mim, como um autor exageradamente modernista, no sentido de aplicação de cacoetes para envidenciar-se como moderno. Daí os trocadilhos insustentáveis:
na sala violeta de Monsieur Violet ( Memórias sentimentais de João Miramar).
a Serra dos Órgãos serrava ( idem).
Carlos Florêncio – grande poeta inédito falecido na flor da idade. ( Serafim Ponte Grande ).
Isso para não citar uma profusão de neologismos idiotas. Esses procedimentos tornam os textos do Oswald datados, muito presos ao momento daquele “futurismo ciclóplico”, que autor já considerava superado no seu Manifesto Pau Brasil. E é preciso apontar um outro ponto do meu não interesse por Oswald: visto de longe, ele me parecia um cantor de uma nota só, com uma excassez de tópicas que não o deixava ir além da dessacralização (da arte, da pátria) e da sátira à nossa elite caipira. Por oposição, Mário, graças ao sentimento íntimo de que falei mais acima, sempre me pareceu produzir uma literatura menos fugaz e, por isso mesmo, mais honesta: “Seria insincero comigo mesmo, se mais que a minha expressão, procurasse a orientação de escolas”, escreve ele em Carta a Manuel Bandeira (23/abr/1923). Não há como negar a grandeza de alguém que escreve algo como “O poeta come amendoim”, poema muito mais moderno do que modernista.
Mas como literatura pode até ser comparada, mas não é competição, estou tendo a oportunidade de descobrir o Oswald, deixando um pouco de lado meus preconceitos e as minhas visadas gerais para partir pro corpo a corpo com o texto oswaldiano. Tenho que reconhecer que há muito pouco de ingenuidade num livro como o Miramar . Se há momentos extremamente desnecessários, como já apontei, o romance é sobretudo síntese e economia, como no anúncio da morte da mãe do protagonista que é limitado a uma locução adjetiva:
sentaram-me num automóvel de pêsames
Há também neologismos bem sucedidos:
E o sertão para lá eldorava sempres e liberdades.
Aqui, Oswald atinge o máximo do seu procedimento neológico – não se trata da técnica pela técnica, mas da neologia associada ao lirismo, ao sentimento íntimo, que eu julgava ausente da sua poética. Boa escola de poesia para um Guimarães Rosa ou, talvez mais próximo pelo gosto aforismático, para um Manoel de Barros.
Até mesmo no humorismo oswaldiano tenho achado ótimos momentos de pura sensibilidade, sem que isso prejudique o fundo racional da sátira: medo da senhora A escrava pegou a filhinha nascida
Nas costas
E se atirou no Paraíba
Para que a criança não fosse maltratada
E a capacidade ímpar na nossa literatura de trabalhar o título, deslocando-o do contexto apropriado. Como nos famosos ready-mades linguisticos de Pau Brasil, nos quais, através da titulação, o autor subverte o texto citado (geralmente da literatura dos viajantes expansionistas). Impagável a conhecida apropriação da Carta de Caminha, por meio da qual Oswald expõe a posição pilantra dos nossos “descobridores”. Nossas índias dessacralizam-se e se tornam prostitutas da gare, esperando novos clientes. as meninas da gare Eram três ou quatro moças bem moças e bem gentis Eis aí o ponto alto oswaldiano, cume atingido só pelos melhores artistas de vanguarda: emprego de um procedimento ultra-modernista, i.e., a apropriação quase Duchampiana de um objeto (trecho da Carta), ressignificando-o pelo título, sem destituir a sátira do sentimento íntimo que nos faz sentir compaixão por essas indiazinhas depiladas.
Com cabeçalhos mui pretos pelas espadoas
E suas vergonhas tão altas e tão saradinhas
Que de nós as muito olharmos
Não tinhamos nenhuma vergonha.
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A tristeza da minha vida ultimamente tem sido olhar para uma parede da minha casa e achá-la pelada. É que fiz algumas mudanças e agora sinto falta de algo pra ocupar o espaço. Queria, na verdade, um pôster enorme do Vinicius ou da Estamira, mas não acho imagens em alta resolução. Uma aporrinhação.
Mas eu sou tão atualizado que só hoje fui aprender com meus alunos que Crepúsculo é um filme de vampiros(!). Uma aporrinhação.
O Ney não tem mesmo jeito: como se não bastasse o inacreditável Inclassificáveis, que quase me matou do coração, agora ele aparece com o Beijo Bandido.
Estou à beira de uma síncope com a versão dele para “Mulher sem razão”. (E o disco ainda tem “Medo de amar”, minha música ever).
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Hoje estava vendo uma parte da novela em que aparecia mulheres no saguão de um hotel. Me dei conta de que uma viagem por agora não seria nada mal. É que estou sentindo saudades disso: de muvuca de hostel, de levantar pra pegar o horário do café e voltar a dormir, de ter medo de perder a chave do quarto. A Nanda tem me dito do aniversário dela que se aproxima e que seria uma ótima oportunidade pra ir ao Rio. É algo a se pensar, mesmo porque não apareço por lá desde fevereiro. O problema é que novembro já está comprometido com BH.
O que eu queria dizer: o que mais quero, o de que preciso é me sentir estrangeiro.





