Isabeli, na Vogue: ela sente pena dos seus amigos

viadinhos que compram a revista?

 

Essa semana, Isabeli Fontana disse no sofá da Hebe que não quer saber dessa história de filho viadinho: “È a gente não tem que ter preconceito, mas filho meu, eu não gostaria que fosse.” (veja o vídeo). Como era de se esperar, a declaração rendeu pano pra manga: algumas pessoas não gostaram da fala da modelo, mas a maioria está com ela: numa enquete na Folhaonline, 5.321 pessoas (66%) também disseram que essa coisa de viadinho dentro de casa é um problema – um resultado bem parecido com uma outra enquete que eu já havia comentado aqui, sobre o beijo gay no final da novela.

 

O caso é que com o bafafá em torno da sua declaração, ela teve que se explicar: “Amo os gays. Tenho milhões de amigos gays. São as pessoas mais divertidas que conheço. Disse que não gostaria de ter um filho gay porque sei como eles sofrem com o preconceito. E nenhuma mãe gosta de ver seu filho sofrer”, disse em entrevista  à Folha de hoje.

 

Eu não estou nem um pouco interessado em saber se Isabeli tem ou não preconceito. Cada um que se resolva com seus preconceitos. O que me é estranho é essa idéia de que, mais cedo ou mais tarde, os gays vão sofrer. Outro dia vi num site uma pesquisa, feita com gays, na qual mais de 60% responderam que se pudessem escolher não seriam viadinhos. É provável que essas pessoas concordem com Isabeli e achem que ser gay é um negócio muito do complicado.

 

Pois eu não. Se eu pudesse escolher, teria nascido exatamente do jeito que eu nasci. Isso não quer dizer que eu ache lindo ser viadinho, ou que seja um militante do orgulho gay, mas que talvez se eu fosse hétero, eu não seria assim como eu sou. Não que eu seja a perfeição em pessoa – mas é que não há em mim absolutamente nada que eu queira mudar. Daí, eu fico pensando: se eu fosse um heterozinho, será que eu teria lido Dostoievski? Será que eu teria conhecido um monte de pessoas que são indispensáveis pra mim? Será que eu escreveria esse texto? Será que eu saberia quem é Isabeli Fontana? É provável que não, pois a minha história de vida seria diferente. Não saberia dizer se eu teria uma vida melhor ou pior; o que eu sei é que do jeito que está, está ótimo – por isso não mudaria. Claro, eu nunca fui discriminado, ou melhor, nunca sofri algum tipo de coerção por causa da minha sexualidade. Reconheço que muita gente deve passar maus momentos por ser gay – de verdade, não concordo quando digo que hoje o mundo está bem mais “liberal” (basta lembrar que enquetes foram feitas por um jornal, que tem como público as camadas mais ricas e esclarecidas do país). Talvez para quem sofra com freqüência violências morais por ser gay discorde, mas acredito que é uma bobagem essa história de achar de que, mais cedo ou mais tarde, você vai ser discriminado. É uma pena que na maioria dos lugares você ainda não possa nem pegar nas mãos do seu namorado, mas daí a ser infeliz por causa disso, há um longo espaço.

 

Tenho uma amiga (heterossexual) que vive dizendo, sem ter medo disso e sem querer isso, que os seus filhos vão ser gay, porque os amigos dela são tudoviado. É um avanço: na noção de “família-perfeita” dela – diferentemente do que pensa Isabeli -, o critério sexualidade não vem ao caso.

ps: criei uma comunidade pra apoiar a causa da Isabeli (: