o bom e velho central

 

Eu vi, pela terceira ou quarta vez, o Central do Brasil, que o Canal Brasil exibe esse mês, na mostra Walter Salles. Apesar da vontade obsessiva do diretor em mostrar pobres – como se só retirantes nordestinos tivessem algo a contar – o filme é, de fato, muito bom. Ou por outra: embora o W. Salles procure à exaustão mostrar o Brasil de fato, o filme parece ser maior que isso. E é grande não apenas por ser um filme sobre o esquecimento.  Central é o que é graças à personagem da Fernanda Montenegro, a Dora. A interpretação da Fernanda excepcional, não há dúvidas, mas a sua personagem é melhor: é tão reconhecível, é tão possivelmente real, que é difícil lembrar que trata-se de um filme – ainda que haja todo o movimento do diretor, na direção oposta.

 

Não tenho muito interesse por cinema. Eu poderia morrer sem ver um monte de filme que o povo diz essencial. Aliás, acho que já vi tudo que eu tinha que ver. Mas o cinema do Walter Salles me atrai bastante. Não porque seja brasileiro: a coisa mais chata em Central do Brasil é, justamente, o Brasil. Mas, ainda que dispute espaço com seus personagens, Walter filma bem. Acerta, quando erra: o excesso de cenas na-pobreza evidencia, por contraste, a grandeza de personagens como Dora, que conseguem ser muito mais do que o diretor e o Brasil juntos.

 


Um Comentário on “o bom e velho central”

  1. [...] papel Um bom sinalo bom e velho centralPena que era de BRINKSO mundo está perdidoA vida não está [...]


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