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Não sei onde, mas surgiu um boato de que existiria um jogador viado em de um grande clube de futebol de SP. Meucu pro boato. Um diretor de futebol falou que era o Richarlyson. Meucu pro Richarlyson. O jogador resolveu entrar na justiça pra processar quem o tinha chamado de viadinho. Meucu pro processo. A justiça negou a indenização ao jogador. Meucu pra negação.

 

Mas é lamentável a sentença do juiz, Manoel Maximiniano Junqueira Filho:

 

- “se fosse homossexual, poderia admiti-lo, ou até omitir, ou silenciar a respeito. Nesta hipótese, porém, melhor seria que abandonasse os gramados…” 

 

- “Já que foi colocado, como lastro, este Juízo responde: futebol é jogo viril, varonil, não homossexual.”

 

-“ Também o negro, se homossexual, deve evitar fazer parte de equipes futebolísticas de héteros.”

 

“- Precisa, a propósito, estrofe popular, que consagra: “CADA UM NA SUA ÁREA, CADA MACACO EM SEU GALHO, CADA GALO EM SEU TERREIRO, CADA REI EM SEU BARALHO”.

 

As afirmações acima, de uma expressividade segregacionista que faria inveja a um nazista, são apenas lamentáveis. O pior, o mais execrável e imbecil é o último parágrafo da sentença:

 

-“Para não se falar no desconforto do torcedor, que pretende ir ao estádio, por vezes com seu filho, avistar o time do coração se projetando na competição, ao invés de perder-se em análises de comportamento deste, ou daquele atleta, com evidente problema de personalidade, ou existencial; desconforto também dos colegas de equipe, do treinador, da comissão técnica e da direção do clube.

 

Ou seja: viadinho são portadores de uma patologia, de um e causam um desconforto para o pai de família que é obrigado a mostrar ao filho essas pessoas com“evidente problema de personalidade”, e aos demais héteros, que têm que conviver no trabalho com essa gente esquisita.

 

O caso é de 2007, mas só agora parei pra ler as coisas sobre ele. O magistrado parece que foi advertido pelo STJ e a coisa ficou por isso mesmo. Gente como ele não representa apenas a parte mais retrógrada da já mais-que retrógrada Justiça brasileira. Reciclagem só não adianta. O juiz representa a ala imbecil de uma certa mentalidade mais-que imbecil, para qual “Esta situação incomum [a homossexualidade], do mundo moderno, precisa ser rebatida… “. Pior pro Richarlyson. Pior pros viadinhos. Pior pros héteros. Pior pra todos nós que somos regidos por reis, macacos e galos idiotas como Manoel Maximiniano Junqueira Filho.

 

 

Jesus cada vez mais globalizado.

 

 

Céls! Vídeo (estranhíssimo) enviado pela Ivana.

 

 

Estou adorando as minhas férias: ver a madame safada dando em cima do taxista-comedor, em Mulheres apaixonadas, me faz tão feliz.

 

E domingo tem o Ney, no GNT, no programa da Marília Gabriela.

 

 

Adorei esse kama sutra! E hoje é o aniversário da Nanda: parabéns pra ela (:

 

 

Eu nao gosto do Geneton Moraes Neto. Ele sempre aparece com uma entrevista pseudo-histórica do tipo: sobrinha de militar nazista revela segredos do tio torturador. Coisa de pessoa-com-visão-crítica. Mas domingo foi ao ar, na GloboNews, uma entrevista dele com o Ney Latorraca que deveria entrar pra listinha das melhores entrevistas da pós-modernidade televisiva.

 

-Qual foi seu maior vexame?

NEY: Eu bebi um pouco demais(…) e encontrei o José Sarney, que era presidente na época, no hotel que estava. Quando eu o vi, achei ele tão pequenininho, eu peguei na bochecha dele e disse: [voz de bebê] ah, que bunitchinho, que fofinho…

 

-Qual pergunta faria você levantar agora e ir embora?

NEY: Ah, aquela pergunta: que apito você toca? Falar de sexualidade em pleno século XXI é muito, né…

 

(a parte que ele mostra o santinho é a MELHOR!)

 

O Ney é figuraça. Eu me lembro dele no Irritanto Fernanda Young, dizendo: “o que me irrita é sentar numa cadeira, pouco depois de alguém… aquele quentinho do corpo da pessoa de antes é irritante”.

 

E é mesmo!

 

 

 

 

Esses vídeos me fazem tão feliz!

 

 

Que Nina Simone é deus eu já sei… mas será que Clementina de Jesus é sua encarnação brasileira?

 

 

O João Cabral disse em 1988 uma coisa que eu concordo todavida:

 

uma das coisas fatais da poesia foi o verso livre. No tempo em que você tinha que metrificar e rimar, você tinha que trabalhar seu texto. Desde o momento em que existe o verso livre, todo o mundo acha de descrever a dor de corno dele corno se fosse um poema. No tempo da poesia metrificada e rimada, você tinha que trabalhar e tirava o inútil” (pesquei do texto do Antônio Cícero, no Cronópios).

 

Eu acho isso a síntese da (alta) literatura: reescrita. Se for só expressão de uma subjetividade fica pernóstico, igual a uma pessoa fumando de piteira. Outro dia, num encontro com escritores, andei conversando com o Ronaldo Cagiano, que me perguntou se eu escrevia ficção. Respondi que graças a deus não. Costumo falar que sou um dos maiores contribuidores da Literatura Brasileira: pelo menos não a torno mais chata. Não arrisco literatura sobretudo porque morro de preguiça de reler o que eu escrevo. Eu me divirto escrevendo em blog por causa disso: ligo o fluxo de consciência e deixo a coisa ir. A minha sorte é que ninguém me lê e os poucos que o fazem – não todos, claro; uns 90% – são intelectualmente restritos.

 

Mas o problema vem na hora de fazer uma resenha ou um estudo: ainda que eu morra de tesão por esse tipo de escrita, sempre me é penosa a releitura.

 

O Samuel me disse que desmancha tudo que escreve e pensa muito antes de escrever. Ele poderia arriscar algo mais literário, portanto – ainda mais que ele tem uma capacidade de síntese que eu invejo, mas que eu tenho procurado a cada dia abandonar: quero cada vez mais ser prolixo, isto é, falar a mesma coisa, sempre repetindo, ou seja, ir testando a capacidade do leitor de suportar um autor que se repete e de um texto que repete as palavras, sempre do mesmo jeito igual e repetido, portanto.  

 

Outra coisa que me falta: a espera. E todo escritor descente deixa um trabalho esquecido alguns meses (ou anos!) pra ver se realmente vale a pena publicá-lo. Eu, dificilmente, arquivo um texto: sinto necessidade de publicá-lo logo, para esquecê-lo bem rapidinho. Guardar um texto é como manter uma idéia. E não há nada mais idiota do que não mudar de opinião.

 

 

 

Mais um vídeo indicado pela Nanda. Ou você é viado ou você não é viado: as duas coisas são idênticas.

 

 

 

 

Eu tenho que viver, virou minha frase-de-vida (olha o trocadilho! Ou será o Trocadilo?). E eu falei pra minha mãe que mês que vem ia pro Rio e ia saltar de asa delta e ela falou: espera eu morrer, pra depois você fazer isso. Já estreei minha frase: “você tá doida? eu não tenho tempo…eu tenho que viver”. Ela: cuidado pra não viver demais hein… ô, mas como eu gosto da minha mãe-conservadora, viu.

 

 

Sem querer parecer saudosista, mas: bom tempos aqueles em que Jesus dava conta de tudo. Hoje, a coisa está tão preta[i], que ele precisa de uma mãozinha da internet, na hora de operar um milagre. 

 

Ô raça!

 


[i] * embora  a cartilha petista do politicamente correto afirme que a expressão “a coisa ficou preta é utilizada para expressar o aumento das dificuldades de determinada situação, traindo (sic) forte conotação racista contra os negros”, não há, no emprego que aqui faço do adjetivo, nenhuma referência pejorativa aos nossos afro-companheiros afro-descendentes)

 

 

 

 

O que eu estou lendo

Don Quijote de la Mancha, Miguel de Cervantes

Capitães da Areia, Jorge Amado.

Gramáticas da criação, George Steiner

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esse povo ainda me mata