O messias negro e as criancinhas do Senegal

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Hoje o mundo mudou. Nunca mais seremos os mesmos. A humanidade finalmente deu o grande salto em direção à paz. A partir de agora viveremos num mundo onde as diferenças não serão motivo de contendas entre os homens. Nunca na história desse planeta houve tanto consenso em torno de uma mesma crença: a de que Barack Obama é o nosso messias. É provável que, “nessa quarta-feira histórica”, tenha mais prestígio do que Jesus Cristo. Confesso que de tardezinha, fiquei uns quinze minutos olhando pro céu, esperando soar alguma trombeta.

 

Como tudo nessa vida, passado o momento do oba!, chegaremos logo (sou otimista!) ao epa! e veremos que o mundo ficou pior com a eleição de Obama. O que mais se disse hoje é que a eleição de um negro, mostra que entramos num momento histórico. Bobagem. Todo mundo sabe que o maior cabo eleitoral do Obama não foi a sua pele cheinha de melanina: foi o Bush. O voto anti-Bush elegeria qualquer um: branco, negro, japonês, mulher, índio e suspeito que até viado.

 

O perigo da eleição de Obama é esse discurso de que a fracassados-unidos-fazem-a-força-para-mudar-esse-mundo. Alguém poderia fazer uma pesquisa pra quantificar com mais exatidão, mas toda vez que um norte-americano se sente “fraco”, aproximadamente, 30 crianças morrem de fome na China. O que o mundo precisava, agora, é que os americanos fossem arrogantes: arrogância combina com consumo, com produção, com geração de riqueza. Toda vez que baixa o santo da soberba num morador de Ohio, 35 jovens conseguem emprego numa fábrica de calçados no Vietnã.

 

McCain não era Bush e todo mundo sabia disso: inclusive o Obama que, mesmo assim, insistia na comparação. Lembro de um debate em que o democrata só falava disso, até que o McCain rebateu: por que você não se candidatou na última eleição, já que você fala tanto do Bush? Todo mundo sabia da diferença. Mas todos – falo não só dos americanos – preferiram ir no balanço do Obama. A mensagem que fica é: agora é a hora da América ser humilde. É emocionante, é lindo, é coração, é paz, é multicultural, é Oprah Winfrey. Pior pras criancinhas senegalesas (afro-originais) que irão morrer, antes de completar um ano: coitadas.

 

 

 


Um Comentário on “O messias negro e as criancinhas do Senegal”

  1. Ricardo disse:

    Gostei desse post, realmente interessante a sua análise.


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