sem papel


Samuel é homem-pra-casar
Junho 11, 2009, 11:34 pm
Arquivado em: brasil, homens

Acabo de entender tudo sobre a minha solidão

"Acabo de entender tudo sobre a minha solidão"


Samuel Kobayashi é dotado(!) de uma inteligência de dar gosto: ao invés de ser uma pessoa-com-visão-crítica, ele é uma pessoa-com-visão-sintética. É que Samuel consegue atingir o nível do sutil, do comentário simples, sem ser simplista; sugere muito mais do que afirma – sem que haja aí nenhuma redução da ideia. É o biscoito fino da ironia. Não resisti ao seus textos desde que li o comentário sobre Mallu Magalhães: enquanto a turma do oba afirmava que essa garota com claros problemas de elaboração frásica era a salvação da música pop-cool nacional, e enquanto a outra parcela, as pessoas pessoas-com-visão-crítica, desconfiavam da menina, Samuel encerrou o debate, afirmando que “Mallu tem ‘mojo’” e nada mais. Invejo-o pela sua capacidade de resumir as coisas, de esvaziar a importância dos debates imbecis, e de trazer de volta o que realmente vale a pena. Enquanto eu preciso de quatro palavras para criar um conceito, o antropológico pessoa-com-visão-crítica, Samuel resume a coisa num adjetivo: os espertos (inspirou-se em Estamira?). E enquanto os espertos pós-modernos esbravejavam contra a decisão judicial que proibiu o sistema de cotas na UERJ, Samuel mostrou que, no mesmo estado, as escolas primárias tinham esgoto a céu aberto.

Que me perdoem os ignaros, mas inteligência é fundamental: Samuel é um homem-pra-casar. Abaixo, a entrevista que ele gentilmente me concedeu – através da qual ficará clara para o leitor a capacidade de síntese que eu me referia mais acima.

RC = Você foi contratado pelo Multishow. No entanto, recentemente foi flagrado ao lado de Sabrina Sato e um ator bombado norteamericano, no Pânico na TV. Qual será o próximo passo: pretende ficar na TV paga, ou pretende migrar pra TV aberta. Quer dizer, pretende chegar à toda poderosa Rede Globo?

Samuel Kobayashi = De forma alguma. Aquilo não é pra mim, dizem que é um ninho de cobras… E também isso não quer dizer que eu não seja ambicioso. Quero ser um diretor de arte melhor que Hans Donner, e como eu disse que sou ambicioso, quero ser melhor que o Jimmy Leroy, dos bons tempos da MTV, também. Só trabalharia na Rede Globo se fosse para ser assistente na cozinha de Ana Maria Braga.

RC = Num país tão sem memória como o nosso, é louvável o projeto que você tem desenvolvido no sentido de cultivar nossos ícones culturais. Graças as suas pesquisas, importantes vídeos da pré-história televisiva nacional vieram à luz. Destaco o seu imprescindível resgate da filosofia sócio-descritiva de Raimundo Fagner. Você também defende a rima segundo a qual “quem é rico mora na praia, mas quem trabalha nem tem onde morar” ou você acha que é questão de garigarigarededê, gurireriguiriguida rara, mesmo?

SK= Queria mesmo é ser um peixe, ao contrário do Rio. Agora, sério, é tudo uma questão de identificação, de ressonância magnética! Faz um tempo, vi um vídeo do Fagner, muito, mas muito antigo, e me achei tão parecido com ele! Acho que até postei sobre isso.

RC= Não sei se você tem consciência, mas você é um homem-pra-casar. Pelo menos é isso que sugere quando escreve textos tão precisos e atualiza conceitos tão essenciais para a antropologia contemporânea como o de “espertos pós-modernos”. Você tem recebido muitas propostas?

SK= Nenhuma. Casamento é coisa do passado, agora o povo quer é se juntar. E eu, homem-para-casar que sou, estou sozinho e sem cachorro. Mas isso há de mudar com a chegada de Melão. Acabo de entender tudo sobre a minha solidão.

RC= Citei recentemente um texto de Georges Palante, no qual ele afirma que nem o povão nem as mulheres compreendem a ironia. Considerando o seu comentário, de que o Brasil é o país da fotografia haja visto os álbuns do orkut e fotologs, você acha que os fotógrafos tupiniquins entenderão o que você quis dizer? (Dado sócio-artístico: a maior parte dos nossos ilustres fotógrafos, creio, é constituída de mulheres e viados, categoria animal que não foi estudada por Georges Palante, mas que, de acordo com o senso comum, são mais sensíveis do que os homens heterossexuais).

SK= Entenderão. Os fotógrafos tupiniquins entendem tudo o que eu escrevo. É uma conversa franca, sabe? Assim como eu, eles também entendem de música, de política, de moda, de beleza, de outros assuntos. Fico imaginando se não foi Georges Palante quem criou aquela chamada da revista Marie Claire, que diz “chique é ser inteligente“.


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[...] By Samuca Gente, passei o dia envaidecido porque o Rafa, de quem sou fã, disse que sou homem-pra-casar. (Antes de ver as respostas bobas que eu iria [...]

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[...] sobretudo aqueles entre viado&viado, que não duram quase nada. Quando li o Samuca (o homem-pra-casar), contando sobre seu passeio pela loja de edredons, pensei: pelo menos um! pelo menos alguém ainda [...]

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