“Essa montanha infinita de lixo que é a cultura POP”
Publicado; junho 25, 2009 Filed under: aforismos, artes | Tags: Paulo Francis 2 Comments »Ainda sobre a História do medo no Ocidente: o Delumeau faz um inventário da iconografia da arte em tempos de peste que é imperdível, sobretudo quando mostra os arquétipos que se repetem nessa arte, como a flecha, para simbolizar a epidemia que surpreende e fere rapidamente, a dança em círculo, como metáfora da morte que envolve toda uma comunidade. A citação de autores e imagens é extensa. O problema é que eu comprei a edição de Bolso que, infelizmente, não contém imagens. Foi aí que me lembrei de uma dica do Jorge Coli: o Web Gallery of Art, que é um site criado por uns estudantes da Hungria, com um acervo impagável – e o que é melhor: a qualidade das imagens é assustadora. Fui, então, lendo o livro e pesquisando as imagens no site e supri, assim, a pobreza da minha edição.
Foi através procedimento, aliás, que eu descobri uma imagem que o Delumeau não cita: busquei por plague e achei uma tela (acima) de um pintor chamado Hieronymus Bosch. Não conhecia nada dele e continuo não sabendo mais do que vi por lá e do que a Wikipedia me ensinou. O que me chamou atenção, no entanto, foi a recorrência dos homens-com-cara-de-rato, peixes-navios, mulheres-com-cara-de-porco, etc. Fiquei pensando no quão fechadas são essas alegorias – claro, só se pode entender essas imagens como alegóricas -, a tão ponto que são de difíceis reconstrução hoje. Mesmo assim, ainda prefiro elas, do que as não-metáforas surrealistas, como os cavalos e relógios derretidos de Dalí (por quem, aliás, não tenho um pingo de interesse).
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E o mais interessante desse post ficou nos parêntesis: estava procurando o vídeo do Francis comentando sobre a morte do Dalí pra colocar o link e não achei. Mas revi outros impagáveis dele :
[Francis:]Eu acho que as pessoas devem ter o direito de ter armas…
[Caio:] O direito à vida é mais importante do que ter armas…
[Francis:]Iiiiiiiih, se você disser mais um clichê desse, eu vou ter uma síncope, aqui!
E a melhor: “A maior prova de sobrevivência biológica do ser humano é que ele consiga sobreviver a essa montanha infinita de lixo que é a cultura pop“. Traduziu o porquê de eu achar que quem gosta de rock é vagabundo.





tem hoje também uma charge do sarney derretido, repetição de 1988, do chico. isso pra complementar o clima de surrealismo do brasil.
[...] outro dia sobre um pintor chamado Hieronymus Bosch, com seus quadros de peixes-barcos, em plena Renascença. Não havia entendido muito bem o teor da [...]