A hora do sim é o descuido do não

Outro dia, li uma coisa para a qual nunca tinha me atentado: se o universo é constituído de milhares e milhares de estrelas e corpos que emitem luz, por que o vemos como um manto negro coberto com alguns pontinhos de luminosos? Não era pra vermos um só clarão único?

A resposta é que, apesar de existirem bilhões de corpos luminosos, a luz que eles emitem não consegue chegar até nossos olhos porque eles se afastam da Terra com uma velocidade muito superior à velocidade da luz. (Ai desses astros, que ao se afastarem perdem sua razão de ser, já que estrela só foi feita mesmo pra terminar no olho de um homem).

Fiquei pensando se essa não é a melhor metáfora para se descrever as relações que cravamos diariamente, se no final das contas o que há é um monte de gente se dispersando numa velocidade maior do que a capacidade que a vida tem de fazer encontrar. Ai de nós que nem chegaremos a ver tantas outras estrelas, que existirão só mesmo na forma do seu nada, do manto negro.


3 Comentários on “A hora do sim é o descuido do não”

  1. Joseane disse:

    Que profundo Rafa!
    E as vezes estas pessoas tem um brilho tão intenso que cegam o nosso olhar!

  2. Samuca disse:

    Adorei e lembrei de ‘Estrela’, do Encateria
    ;]

  3. pedreiro, disse:

    Dispersão meio a jogos de espelhos, onde só existem imagens…..um abismo de imagens……
    “Realidade para quê? – pergunta. As imagens já dizem o que somos, o que queremos, para onde vamos.”

    Muro sem reflexão…um paredão…um manto negro com a forma do seu nada.


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