Do que falamos quando falamos que a educação precisa melhorar?
Publicado; fevereiro 10, 2010 Filed under: brasil 2 Comments »É óbvio ululante: todo mundo defende a melhoria das educação pública no Brasil. Todo mundo acha que o professor deveria ser mais valorizado. Todo mundo se lembra de dizer no bar que a educação básica deveria ser mais bem cuidada pelos governos. E daí?
Pois ontem fui a uma atribuição de aulas do Estado de São Paulo, para professores não efetivos, que pegam a sobra das aulas, quando elas sobram. O quadro era lamentável: um monte de gente desesperada por emprego que lhe pagará R$6 por hora, torcendo para sobrar um numero significativo de aulas, para que elas consigam ganhar entre R$500 e R$1000. E eu no meio.
Professores da rede pública estão no nível mais rasteiro da escala social – e no sistema particular não é muito diferente, basta lembrar que na maioria dos casos os alunos de uma escola privada estão em um estrato econômico muito mais alto do que o de seus mestres. Professores da rede pública também são precariamente intelectualizados, medianamente letrados, sem acesso a cultura, ignorantes: muitos deles foram alunos da rede pública de ensino, fizeram letras, pedagogia ou outras licenciaturas em uma universidade medíocre, quase sempre no período noturno, pois, durante o dia, tinham que trabalhar como recepcionista num consultório odontológico. Professores da rede pública se vestem mal. Professores da rede pública não têm carro e pegam duas condução pra chegar no sirviço. Professores da rede pública não leem, embora sejam os principais responsáveis pela formação de novos leitores (vide a excepcional pesquisa da CBL sobre o Retratos do Leitura no Brasil/2007). Por isso tudo, professores da rede pública são vistos pela sociedade enriquecida e medianamente intelectualizada com um misto de pena e conforto: sabem que seus filhos não precisam conviver com esse tipo de gente e que, se tudo der certo, não se tornarão um deles.
O governo do Estado de São Paulo, na tentativa de melhorar o ensino público (será?) , aplicou uma prova para classificar os professores não concursados. Quem fizesse mais pontos, teria prioridade na escolha das aulas. A avaliação foi alçada à categoria de resolução: tudo se resolveria com uma prova. Sindicatos entraram na justiça e conseguiram passar uns professores (menos pontuados) na frente de outros. Todos lutando com suas armas pela melhoria da educação. No final das contas, o professor que fosse convocado deveria escolher suas aulas ontem (09/fev) e começar a trabalhar dois dias depois: dormiria desempregado e acordaria com a obrigação de saber quem seriam seus alunos e preparar suas aulas. Nenhum pai estava presente à atribuição de aulas. A cobertura da impressa não existe. Todo mundo acha triste, mas resta um sentimento de isso não é comigo, graças a deus. Do que falamos quando falamos que a educação precisa melhorar?




cruzes!
olha eu gostei muito da historia(pois ta mais pra uma historia do que pra uma informação)mas eu pretendia encontrar aqui neste site uma informação basica