Sou mais interessante do que o que aí está posto
Publicado; outubro 20, 2010 Filed under: brasil, ego, Literatura, Política 2 Comments »
Eu ia escrever sobre uma crônica de Antônio de Alcântara Machado, escrita no final da década de 1920, que é de uma atualidade terrível, no que diz respeito à situação política nacional:
Fulano quer ser legítimo representante do povo brasileiro? Quer mesmo?(…) Não há coisa mais carnavalesca do que a nossa política. Se o cidadão se fantasia de eleitor independente para votar, o cavalheiro por ele eleito se fantasia de representante do povo para legislar. Um e outro não passam de mascarados. Um e outro estão pouco ligando para as suas nobilitantes funções cívicas. No fundo tudo é pândega.
Também pensei em transcrever, para comentar o triste fato daqueles Chicos Buarques que fazem abaixo assinado para apoiar uma candidata, mas não se lembram de fazê-lo quando há casos graves de quebra de sigilo, quando Francenildos são acossados pelo partidão, também pensei em transcrever uma crônica atualíssima do Mário de Andrade, que começa assim: “O vício da gente se esquecer das suas próprias faculdades pensantes é bastante comum. Mesmo entre os que pensam”.
Mas a minha decepção pelo debate(?) obscurantista, neo-religioso, que hoje se trava entre Serra e Dilma é tão grande que prefiro escrever sobre mim. Sou mais interessante do que a eleição, e sei muito bem meu tamanho. Nem pra mais, nem pra menos. O que eu queria dizer: é que a felicidade maior da minha vida é ter chegado a um ponto em que minha casa parece não ter mais por onde enfiar livro e papel.





Poxa, achei tão bom o trecho que você transcreveu da crônica que fiquei com vontade de ler ela inteirinha. Onde eu posso encontrá-la? Em que livro? O nome do escritor está correto? (Quando li “Alcântara Machado” me veio imediatamente o “Brás, Bexiga e Barra Funda”, mas vc informou que o nome é Fernando…. então deve ser um outro Alcântara Machado que tem por aí… ou não????)
Abraços!
Ah! E parabéns pelo blog, tô gostando mto de ler o que vc posta por aqui.
Não queria dar uma de chata, mas acho que não tem jeito. Peço encarecidamente que, por favor, me indique a referência bibliográfica da citação do Alcântara Machado. Bom, na verdade, não precisa sequer ser algo completo – p.ex., foi um livro que reúne várias crônicas de diferentes autores? É num livro do próprio Alcântara Machado? Foi retirado de uma seleção de crônicas feitas para jornal?
Andei procurando por aí (inclusive na própria biblioteca da USP) por algo dele, mas basicamente o que aparece é o “Brás, Bexiga…”.
Desculpe a insistência.
Abs,
Priscila