Viver é muito perigoso
Publicado; novembro 12, 2010 Filed under: coisas que não mudam a vida de ninguém 1 Comment »Fui almoçar num restaurante da Usp hoje e estava bem feliz, sentindo que minha expectativa de vida iria se alongar em alguns dias, pois eu havia colocado bastante salada no prato – e o que é melhor, uma bela colherada de linhaça ( vi no Globo Reporter, que a coisa faz você viver uns anos a mais e e que eu não teria intestino preso se comesse todos os dias).
Entrei na fila, pra pesar o prato. Quando chegou a vez da mulher que estava à minha frente, a balança começou a surtar, apagando e acendendo, apagando e acendendo. A senhora italiana que provavelmente era a dona do lugar, e que pesava e cobrava ao mesmo tempo, começou a mexer o fio e a coisa desandou de vez, apagando definitivamente. Fato que a fez substituir a balança por outra que estava em cima de um armário empoeirado. Nisso já tinham sido consumidos uns 5 minutos, a fila crescia demasiadamente para as dimensões pequenas do lugar. Havia um cheiro de rebelião no ar, os clientes com seus pratos esfriando reclavam.
Ao ver que o prato repleto de carne e arroz da mulher à minha frente tinha dado apenas R$1,87, a dona do lugar – nesse momento, eu reparei que tratava-se de uma italiana obesa – foi acometida por uma espécie de vermelhidão que lhe fazia suar e respirar com dificuldades. Do outro lado, a fila para pagar também crescia. A nova balança velha não pesava honestamente, pesava pra menos, o prejuízo era certo, a rebeldia estava a ponto de fazê-los deixar os pratos ali e ir pra lanchonete ao lado, um rapaz falava pra ela cobrar um valor único por prato, ao que o outro que respondeu que então ele ia colocar mais strogonoff e quando um menino que não tinha nada a ver com a história veio lá de fora e perguntou quanto era o chicabom, a italiana se encostou no armário enfurrajado e disse, como desistindo:
“Ai que eu vou ter um infarto, gente.”




Adorei!