A sua lucidez

Descobri hoje um mini-moleskine na livraria por R$6,90 e comprei para anotar o que ainda nem senti. Eu tenho um bonito toda vida, que comprei faz tempo, mas que escrevi pouquíssimo. Eu tinha até uma caneta pra escrever só nele. A gente arranja umas bobeiras, né? No final de semana, vi a Nanda anotando tudo no dela e agora quero fazer o mesmo.

Aliás, Samuca e Nanda vieram trazer luz para minha casa. Luz que clareia o pensamento firme da gente e ensina as desimportâncias da vida. Fiquei lúcido sentimentalmente.

“Sabe uma faca me rasgando? Um mundo se acabando…Gal Costa cantora, Gal Costa mulher, a mulher terrível, a noiva, a morta, a viúva, a maravilha. É muito difícil falar essas coisas, eu não sei, Gal Costa sempre me trata com choques elétricos. Eu chego pra ver ela, e me arrebato por ela,  me arrebento por ela, me desarrumo por ela. É como se a vida tivesse se partindo, se começando”.


Chorei com Denise

Vi As melhores coisas do mundo ontem e fiquei muito feliz em saber da Denise Fraga. É que ela é uma atriz de drama impagável e eu não sabia.

 

Às vezes, eu tenho a impressão de que eu precisava ver uma cena como a que se inicia aos 6min:21s, do vídeo:


 

[1) O filme é muito bom.

2) E o Samuca ainda tem a audácia de dizer que perdeu o viço!]


“A gente ser incoerente na vida é muito importante”

Uma pena eu não achar o “Hotel Atlântico”, que a Suzana Amaral gravou a partir do romance do Noll. Eu que sou pouco ligado a cinema, me comovo muito toda vez que vejo “A hora da estrela”. Tenho a impressão de que “Hotel Atlântico” também me seduziria bastante.


“so black is the color of my true love’s hair”

Ai, que delicadeza e inteligência uma propaganda como essa. A escolha da voz de Nina ao fundo é o bolo da cereja.

 

 

Aqui o site do Grupo Vhiver.


Quem não cuida de si que é terra… erra!


Aliás!

Aliás, eu descobri hoje também que o verso da F. Drummond daria uma bela música de Arnaldo Antunes. Experimente em casa cantar sibilando, com a voz rouca: Não-me-pri-va-dos-teus-o-lhos-ab-sur-do.


Esqueci Björk em 2007, relembrei, gostei, mas não me importo se esquecer de novo. Ou de como me tornei crítico de cinema, ai dos leitores.

Coloquei Björk pra tocar hoje e ela não gritava aqui em casa desde 2007 (acho). Daí, escutei o Dancer In The Dark, álbum com a trilha do filme do Lars von Trier, e fiquei relembrando das coisas. Ora, não tinha me dado conta até hoje de que o filme é uma pérola. Isso porque o enredo é o mais desgastado possível, parece caso de Sônia Abrao: cega é acusada injustamente de roubar e matar vizinho para pagar cirurgia do filho… Coisa de Datena também. Daria um filme imbecil esse argumento dessa pobre mulher injustiçada.

Mas o filme é impecável e tudo graças ao diretor e a Björk, à sensibilidade (!) deles. Nem sei se alguém já disse isso. Mas sei é que me deu vontade de escrever que Lars von Trier é dos melhores diretores que já conheci. E eu até me esqueci que tenho preguiça de cinema. Ai de mim.


A caderneta de Marieta

Acabei de ver no Canal Brasil o making of de um filme chamado “Sonhos roubados”. Pelo pouco que vi, gostei da história e fiquei com vontade de assistir. Mas o que eu mais gostei foi do comentário que Marieta Severo fez sobre como compôs sua personagem. Ela disse que antes de começar a ensaiar gosta de ficar recortando imagens em revistas pra visualizar a personagem e seu mundo. Como vai fazer uma dona de salão suburbana, não encontrava na zona sul revistas que tivessem fotos do povão fashion. O jeito foi pedir pra sua empregada, a Nena, comprar umas revistas no subúrbio pra ela.

O que eu mais gostei: depois da sua fala, Marieta pega sua apostila com o roteiro do filme, toda cheia de imagens de salões de beleza da periferia e de propagandas de cosméticos para o populacho. Ela termina dizendo: “Aí o meu roteiro fica todo enfeitado, cheio de coisas que às vezes não significam nada pras outras pessoas”. O meu também, Marieta.

Um dia ainda quero dizer o quanto sou devoto de Marieta, Andréa Beltrão, Lília Cabral, Marília Pêra, Fernandas Torres e Montenegro, Ney Latorraca, Tony Ramos e mais alguns outros.


Estamira para todos e para ninguém

Finalmente, comprei o DVD da Estamira. O box vem com um outro disco que, além de extras como entrevistas com o diretor e a equipe de produção, contém um outro documentário, Estamira para todos e para ninguém – trechos que não foram incluídos no Estamira, mas que precisavam ser revelados. Me arrebatou também. É como uma continuação do primeiro vídeo: nele, Estamira re-afirma sua missão e comenta os conceitos “esperto-ao-contrário”, “controle remoto” e “trocadilo” (ali transformado em verbo: “A terra suja, imunda ‘trocalizou’a ordenança de quem revelou o homem como único-condicional”), além apresentar outros  como o de “cagüete”.

O filme também preocupa-se em mostrar com um pouco mais de atenção outros personagens do lixão e a relação de Estamira com eles. No ponto alto do documentário, ela discute com um outro catador de lixo, que é também compositor. A raiva de Estamira se deve ao fato dela lembrar da melodia mas não da da letra de uma das músicas compostas por ele. O único trecho que lembra é: “ela falou que eu sou seu rei/ o meu amor é sua lei”… e corrige: “bem, é melhor: ‘o meu querer é sua lei’”. Depois, enervada, diz: “Porra, a música eu sei, mas eu quero a letra.” . O interesse dela pela palavra me faz explodir em:eu.

E é de morrer quando, mais tarde, o “real-radar” manda uma letra e o “sentimento” dela capta pra cantar:

você abusou, tirou partido de mim, abusou…

e não é mesmo a missão dela?

“Mas não faz mal (…)/ Se o quadradismo dos meus versos/ vai de encontro aos intelectos que não usam o coração como expressão”

E não é a minha verdade usar o coração como expressão?



A coisa mais bonita!

O que falar quando um amigo-que-sabe-que-a-melodia-que-mais-me-comove-no-mundo-é-a-bachiana-número-5-do-Villa estuda violino durante três anos pra tocar essa música como presente de natal, pra mim?

 

 

Vale a vida uma surpresa dessas, viu.


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