Cocorocô

Como bem disse Samuca, o problema do Youtube é que a gente se limita a ficar postando vídeos. Mas não resisti ao cocorocô de Maribeth. O sorriso de Dona Canô, então, mata a gente.

 

 


Chore um bocadinho e se esqueça de mim

Hoje minha vó, que veio passar uns dias aqui em casa, me pediu pra colocar uma “musiquinha de violão” pra ela ouvir, enquanto pegava no sono. Disse que estava sentindo falta de música. Me fez lembrar da rapariga dos óculos escuros, do Ensaio sobre a cegueira , que me comoveu muitíssimo quando pediu, como se fosse o seu último desejo, que deixassem o radinho de pilha do manicômio numa estação que tocasse um pouquinho de música.

Isso tudo me faz pensar na necessidade biológica da arte ou, pelo menos, da experiência da arte.
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E pra quem perguntou: o texto da imagem de cabeçalho é estrofe viniciana: “você bota muita banca, infelizmente não sou jornal”. E Maribeth saindo saltitante do palco.


Pois aí está mesmo a diferença entre uma Maribeth e uma Ana Carolina. A interpretação da Ana me lembra eu na oitava série, recitando (!) “A banda”, do Chico.


Mas eu gosto da Ana. Ela tem muito a dizer.


“Quero que minha arte seja como uma boa poltrona em que se descansa o corpo cansado”. (H. Matisse)

matisse

Propaganda impagável da Exposição do Matisse, hoje na Folha. (Reproduzida parcial e porcamente). É que todos nós precisamos, em algum momento, das poltronas matissianas e souberam apreender isso.


Maribeth na Bravo e Tim mandando aquele abraço

Maribeht

E a semana vai ser mesmo só pra falar da Maribeth. Hoje na coluna da Mônica Bergamo, na Folha, ela apareceu toda sorridente, em foto de quase meia página, com a legenda: “A cantora Maria Bethânia posa para a capa da revista ‘Bravo’ que chega às bancas no dia 2; em entrevista, ela fala de seus novos CDs e da Lei Rouanet”. Precisa falar que eu vou madrugar na banca sexta-feira?

E o melhor da década de 1990 é ver coisas assim: backvocals de longo e colar de pérolas e instrumentistas de smoking, enquanto o Tim Maia aparece no palco com um camisão (!) de malha. E o ótimo do Tim é ele cumprimentando os amigos, durante a música, ô fulano, alô sicrano.



Um fox paulistinha e cores: me fariam feliz!

Saiu hoje na Revista da Folha uma reportagem em que aproveitaram as cores do Matisse (em exposição na Pinacoteca-SP) para apresentar alguns ambientes montados por decoradores. Gostei até. Mas preferi as cores da produtora do Almodóvar, na Serafina.


almodovar

Se eu me casar mesmo ano que vem, como pretendo, vou ver se pinto as paredes da casa com cores fortes e vibrantes. O que eu queria dizer: é que quero ter um fox paulistinha e, como não dá pra ter um cachorro morando sozinho, pretendo arrumar alguém pra dividir a responsabilidade comigo. E falo tão sério.


O samba ficou clean, ai de nós!

 

Eu tinha comentado aqui, há algum tempo, sobre a minha falta de paciência com o Samba Cool, esse jeito marisamonteano adotado por cantoras como Ana Cañas, Roberta Sá, Mariana Aydar. Pois continuo sem paciência para elas. A menina-da-voz-bonita da última semana é a Tiê. Ela já virou febrezinha no Last.fm. Não conheço nada sobre ela, mas há um esforcinho dos internautas em torná-la conhecida, pelo menos entre os ouvintes das marisamontistas.

O que eu queria dizer: não é que eu não goste dessa gente. Meu problema com o samba cool não se resume ao gostar ou não. Acho que é praticamente impossível não se simpatizar por uma voz delicada, cantando canções com melodias que não incomodam o ouvido. Eu ouço essas meninas, sim. Mas me parece tudo muito limpo, e é isso que me exaspera. Acho que falta um pouco mais de barulho nesse samba. Como diria o Carlinhos Lyra:

 

Pobre samba meu

foi se misturando se modernizando, e se perdeu

e o rebolado cadê?, não tem mais

cadê o tal gingado que mexe com a gente?

 

  

cadê o tal gingado que mexe com a gente?  

cadê o tal gingado que mexe com a gente?

 

  

e o rebolado cadê?, não tem maiscadê o tal gingado que mexe com a gente?  

e o rebolado cadê?, não tem mais

cadê o tal gingado que mexe com a gente?

 

  

cadê o tal gingado que mexe com a gente?  

cadê o tal gingado que mexe com a gente?

 

  

foi se misturando se modernizando, e se perdeue o rebolado cadê?, não tem maiscadê o tal gingado que mexe com a gente?  

  

Por onde andarão as Clementinas de Jesus desse nosso Brasil branco, preto, mulato e lindo como a pele macia de Oxum?
 


Me espelhar, me espalhar…

Achei tão linda essa música na voz da Gal. Me deu vontade.


“Acho o Brasil infecto”

Eu juro que tento parar de falar bem do Samuca, mas é que ele se supera: “Hoje apaguei o perfil pornô que tinha para saber dos filmes pornôs no Orkut”. E ele também comentou de um filme, Jogo de Cena, que eu ainda não vi, mas que pelo trailer já virei fã. Estou baixando, só pra ver Marília Pêra comentando Procurando Nemo.


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Na piauí do mês passado, publicaram parte da corrêspondência entre Elizabeth Bishop e Robert Lowell, escrita no período em que ela viveu no Brasil. Os comentários são adoráveis, principalmente quando descrevem a tendência do brasileiro a se submeter a tudo. Diz ela, a certa altura:

“Estou dividida entre os prazeres de ser incansavelmente servida, ainda que de modo displicente, por todos os nossos pequenos negros, ou fazer meus próprios ovos mexidos”.

Aliás, o Drummond também em carta a Mário de Andrade, em 1924, confessa o seu profundo desprezo pelo Brasil e pelos brasileiros:

Pessoalmente, acho lastimável essa história de nascer entre paisagens incultas e sob céus pouco civilizados. Tenho uma estima bem medíocre pelo panorama brasileiro(…) Acho o Brasil infecto. Perdoe o desabafo.(…) O Brasil não tem atmosfera mental; não tem literatura, não arte; tem apenas uns políticos muito vagabundos e razoavelmente imbecis ou velhacos. [E mais adiante:] Detesto o Brasil como a um ambiente nocivo à expansão do meu espírito. Sou hereditariamente europeu, ou antes: francês. (…) Bem pesada as coisas, duvido se haverá vantagem em sacrificar-se espiritualmente a uma cambada de bestas como é a quase totalidade dos nossos irmãos brasileiros”

E isso tudo escrito por um modernista de primeira hora… O comentário drummondiano interessa-me sobretudo porque denuncia a ausência de consenso em torno da tópica nacional do movimento, que é tomado equivocadamente como um momento ultra-nacionalista da nossa literatura. Acho que vou escrever sobre isso com mais calma depois. Antes, preciso ler um pouco mais das cartas.


Maribeth nas índias e eu ainda preso a 2009

Fiquei frustradíssimo hoje, porque achei que iria ter a resposta do meu futuro-em-2010 e na última hora adiaram a resposta e só vou poder saber na terça… é muita ansiedade nesse Brasil.

Mas também fiquei tão feliz ao saber que MariBeth vai aparecer hoje, no último capítulo de Caminho das Índias, que foi uma forma de consolo. Nem perco.

Aliás, ela estava alegríssima nas gravações: “Foi um convite inesperado, não estou na trilha da novela, mas a Glória (Perez, autora) disse que eu era a ‘dona do palco’. Tenho orgulho pela Estudantina me ofererer o nome do palco. Não poderia negar jamais”. (Olha o vídeo)


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