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Por falar em horóscopo, outro dia ,conversando entre chopps com uma amiga, ela me perguntou se eu já tinha comparado o meu signo com o da pessoa-amada, pra saber se há compatibilidade. É que essa minha amiga anda estudando Filosofia & Ufologia. Resultado: me apresenou Laércio Fonseca, um físico que quer inventar um celular pra se comunicar com os mortos.
Me lembrou da Fábia e do grande pintor que foi o Jeff.
Eu juro que tento parar de falar bem do Samuca, mas é que ele se supera: “Hoje apaguei o perfil pornô que tinha para saber dos filmes pornôs no Orkut”. E ele também comentou de um filme, Jogo de Cena, que eu ainda não vi, mas que pelo trailer já virei fã. Estou baixando, só pra ver Marília Pêra comentando Procurando Nemo.
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Na piauí do mês passado, publicaram parte da corrêspondência entre Elizabeth Bishop e Robert Lowell, escrita no período em que ela viveu no Brasil. Os comentários são adoráveis, principalmente quando descrevem a tendência do brasileiro a se submeter a tudo. Diz ela, a certa altura:
“Estou dividida entre os prazeres de ser incansavelmente servida, ainda que de modo displicente, por todos os nossos pequenos negros, ou fazer meus próprios ovos mexidos”.
Aliás, o Drummond também em carta a Mário de Andrade, em 1924, confessa o seu profundo desprezo pelo Brasil e pelos brasileiros:
Pessoalmente, acho lastimável essa história de nascer entre paisagens incultas e sob céus pouco civilizados. Tenho uma estima bem medíocre pelo panorama brasileiro(…) Acho o Brasil infecto. Perdoe o desabafo.(…) O Brasil não tem atmosfera mental; não tem literatura, não arte; tem apenas uns políticos muito vagabundos e razoavelmente imbecis ou velhacos. [E mais adiante:] Detesto o Brasil como a um ambiente nocivo à expansão do meu espírito. Sou hereditariamente europeu, ou antes: francês. (…) Bem pesada as coisas, duvido se haverá vantagem em sacrificar-se espiritualmente a uma cambada de bestas como é a quase totalidade dos nossos irmãos brasileiros”
E isso tudo escrito por um modernista de primeira hora… O comentário drummondiano interessa-me sobretudo porque denuncia a ausência de consenso em torno da tópica nacional do movimento, que é tomado equivocadamente como um momento ultra-nacionalista da nossa literatura. Acho que vou escrever sobre isso com mais calma depois. Antes, preciso ler um pouco mais das cartas.
Vejam só como são as coisas: não se cansam de repertir por aí, desde sempre (Sérgio Buarque de Holanda), com bastante verdade, que o brasileiro é contrário à regra, que as leis pessoais se sobrepõem à coletividade, que arrefecemos qualquer costume minimamente civilizado.
Pois hoje estava lendo Borges e achei isso:
El argentino, a diferencia de los americanos del Norte y de casi todos los europeos, no se identifica com el Estado. Ello puede atribuirse a la circunstancia de que, en este país, los gobiernos suelen ser pésimos o al hecho general de que el Estado es una inconcebible abstraccion*;lo cierto es que el argentino es un individuo, no un ciudadano.
(*)El estado es impersonal: el argentino sólo concibe una relación personal. Por eso, para él, robar dineros públicos no es un crimen. Compruebo un hecho; no lo justifico o excuso.
O que eu queria dizer: que fiquei duplamente surpreso, primeiro porque não imaginava ler nada de Borges sobre identidade nacional, segundo – e sobretudo – porque a descrição é nitidamente capaz de caracterizar o homem brasileiro. Me parece que essa coincidência torna totalmente dispensável a oposição do Sérgio B. de H. entre luso e espano-colonizados, que ele chama de aventureiros e ladrilhadores, respectivamente. Aliás, a nota borgiana revela que talvez seja um grande embuste metafórico a distinção do brasileiro pela “cordialidade” – que mal lida, é entendida por muitos como sendo um retrato da “simpatia” do homem brasileiro. O homem cordial é exatamente isso: aquele que não vê nada senão pela relação pessoal. O que o texto de Borges talvez nos diga é que nós – brasileiros e argentinos – somos uma só raça: triste, inculta e destinada ao fracasso e à corrupção.
Rindo (pra não chorar) com o Editorial da Folha de hoje:
A hora do Chacrinha
A COMÉDIA é de tal ordem que talvez a única coisa a ser levada a sério no Senado Federal seja a ideia de extinguir-se, de uma vez por todas, o seu Conselho de Ética. Se a palavra deixou de constar do dicionário da Casa, nada mais lógico que lideranças partidárias proponham o desaparecimento de um colegiado que, afinal, já não tem objeto pelo qual zelar.
O exame do assunto, que ocorreria ontem, terminou sendo postergado. Não faz mal. Que se permita, neste espaço, uma modesta sugestão no sentido de aperfeiçoar a iniciativa.
É que o senador Heráclito Fortes (DEM-PI) planeja, enquanto isso, construir uma praça de alimentação no Senado. Estão previstos dois restaurantes e uma lanchonete. Como não se menciona a existência de pizzarias, quem sabe os espaços do Conselho de Ética poderiam destinar-se a tal especialidade.
O senador argumenta que a abertura do novo espaço de comilança se justifica até por razões de saúde pública, tal a precariedade das condições de higiene dos atuais restaurantes do Senado. Haverá de concordar com a tese a senadora petista Ideli Salvatti, que em outro contexto fez um desabafo acerca dos sacrifícios de seu cargo: sente-se merecedora de um “adicional de insalubridade e periculosidade” em seu salário.
A observação não é lisonjeira para seus colegas, ainda que na mesma ocasião a senadora tenha salvado os do próprio partido: “Tenho orgulho da ética petista”, declarou triunfalmente.
Foi, sem dúvida, para se fazer passar como último representante da “ética petista” que o senador Eduardo Suplicy, por sua vez, encenou o espetáculo ridículo e infantilóide do cartão vermelho contra José Sarney, numa sessão em que o Senado Federal pareceu descer ao nível dos antigos programas do Chacrinha.
Suplicy, que silenciara enquanto algumas figuras isoladas, como Pedro Simon (PMDB-RS) e Cristovam Buarque (PDT-DF), reivindicavam o afastamento do presidente do Senado, resolveu jogar para a opinião pública, como sempre foi a sua especialidade. A esta altura da desmoralização geral, e depois de se saber que sua namorada viajou para Paris com passagens oficiais, tornou-se apenas motivo de chacota, desbancando seu até aqui indesbancável e irrevogável líder de bancada, Aloizio Mercadante.
O mesmo Heráclito Fortes da praça de alimentação encarregou-se de desmascarar a farsa, dizendo que Suplicy deveria mostrar o cartão vermelho, isto sim, ao presidente Lula, que coordenou a salvação de Sarney no Senado.
Atônito, enfurecido e mais vermelho que o próprio cartão, o senador petista não teve resposta. Quem sabe o ex-presidente e senador Fernando Collor, hoje especializado em lições de moral, pudesse repetir o que disse a Pedro Simon há algum tempo, ordenando que Suplicy engolisse e digerisse o tal cartão -enquanto, é claro, não chega a esperada inauguração dos novos restaurantes da Casa.
Disse aqui outro dia que Lula era pior do que o PT. É que talvez eu ainda acreditasse (ai, de mim) no que dizia o Mercadante: que o partido estava unido no sentido de aprovar uma investigação dos escândalos que envolvem José Sarney. O que se viu hoje, no entanto, foi lamentável: os senadores do PT no Conselho de Ética, Ideli Salvatti, Decídio Amaral e João Pedro, votaram a favor do arquivamento do processo e, assim, por 9 votos a 6, Sarney se livrou da investigação. A conta é simples, se os três petistas tivessem feito o que Mercadante jurava que eles iriam fazer, o resultado seria exatamente o contrário, seriam 9 votos contra-Saney e 6 prós. Na verdade, a decisão dos petistas foi orientada pelo próprio presidente do partido, que mais cedo havia divulgado uma nota, pedindo que eles votassem a favor de Sarney.
O mais nojento dessa história toda é que a votação não era para decidir sobre a cassação de José Sarney, mas apenas para que ele fosse investigado . Há nisso algo de muito escandaloso porque hoje não se tratava de condenar ninguém, mas apenas de iniciar um processo que poderia resultar até mesmo na conclusão (vá lá) de que o senador é inocente. Foi um voto lulista, da ala petista favorável ao deixa disso.
Acho que foi o Pedro Simon quem disse uma frase da qual é impossível discordar: hoje é um dia histórico para o PT – perderam Marina Silva para se ligarem a Collor, Sarney e Renan Calheiros.
Recebi hoje a entrevista de uma psicóloga(?) que acredita que “os homossexuais podem mudar“, desviadar. Achava que ninguém mais perdesse tempo com gente assim, mas a Veja deu espaço. De qualquer maneira, vale a pena ler para rir com a falta de coesão entre um comentário e outro.
“As políticas públicas pró-homossexualismo querem, por exemplo, criar uma nova raça e eliminar pessoas. Por que hoje um ovo de tartaruga vale mais do que um embrião humano?”.
Vejam só como são as coisas: quando estourou o escândalo do Mensalão, em 2005, Lula tratou logo de separar-se do PT, dizendo que o partido precisava “cortar na carne” e separar as “laranjas podres das boas”. O populacho acreditou que ele nada tinha a ver com os dólares na cueca, com o carro que Silvio Pereira ganhou de uma empresa prestadora de serviços para a Petrobrás, com os Delúbios, com os Zés Dirceus e Genuinos. O presidente foi à TV para pedir desculpas e dizer que havia sido “traído” pelo PT e que ele, pobre coitado, não sabia de nada. Era como se ele sofresse da síndrome do analfabeto enganado por espertalhões. Lula era só uma pessoa que confiava demais nas pessoas.
O mesmo aconteceu quando, em plena campanha eleitoral de 2006, alguns dirigentes petistas foram descobertos com alguns milhões, que seriam usados para comprar um dossiê contra José Serra. Lula logo tratou de se afastar do escândalo e disse que aquilo era coisa de “aloprados”.
Por essas e outras, o presidente sempre figurou no imaginário do povão como alguém bastante honesto, mas que infelizmente estava cercado de pilantras. O PT sempre foi o problema de Lula, acreditavam alguns.
Se há algum de bom nessa crise do Senado é o fato dela colocar as coisas em pratos limpos. A insistência do presidente Lula em apoiar Sarney, mesmo depois das incontestáveis provas de coronelismo e nepotismo por parte do senador, mostram que Lula é a laranja mais podre do PT. O que se viu essa semana foi exemplar, o presidente, em várias oportunidades, apareceu achincalhando o seu partido. Depois de aguentar o quanto pôde, Aloizio Mercadante, líder do PT no Senado, divulgou nota, pedindo o afastamento de Sarney da presidência. Lula não perdeu tempo: saiu em defesa de Sarney e desmentiu a nota de Mercadante, dizendo que ela não refletia a opinião do PT. Ora, ninguém mais acredita que o PT é o reduto da ética, mas o que esse escândalo mostra é que Lula representa a ala mais pilantra do partido. O presidente é o símbolo do que há de mais retrógrado e escuso na política: o deixa-disso. Mais que isso: é um misto de líder de gangue sindical combinado com o mais baixo fisiologismo, mistura que resulta em algo pior do que o sarneyzismo.
Hoje eu fui a uma banca-de-jornais e vi um mendigo-de-muletas comprando uma revista pornográfica por R$1,60. Me fez pensar nas fomes de cada um.







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