A falcatrua no PanAmericano não é a grande pegadinha de Silvio Santos? Ou de como tudo é muito velho

Assistir ao quadro que se inicia nos 3:21min desse vídeo do Comédia MTV é rir do quanto a tv ainda insiste nessas baboseiras  eternas,  como as “pegadinhas do silvio santos” e o quanto o populacho ainda gosta disso. Outro dia liguei na MTV e quase tive uma síncope (P. Francis), quando percebi que até hoje eles ainda insistem no “Em nome do amor, com Silvio Santos”, aqueles jogos  para formar casais. E até o hoje o populacho gosta disso.

 

O que eu queria dizer:  como esse povo do Comédia MTV é bom, reflitam que o fluxo de consciência do 6:36min em diante provavelmente não seja um texto pré-definido!


Aliás,

É contra isso que nós viados ou não-viados temos que nos posicionar http://www1.folha.uol.com.br/multimidia/videocasts/832798-tv-exibe-imagens-de-ataque-a-jovens-na-av-paulista-veja.shtml .

 

 


Sou mais interessante do que o que aí está posto

 

Eu ia escrever sobre uma crônica de Antônio de Alcântara Machado, escrita no final da década de 1920, que é de uma atualidade terrível, no que diz respeito à situação política nacional:

 

Fulano quer ser legítimo representante do povo brasileiro? Quer mesmo?(…) Não há coisa mais carnavalesca do que a nossa política. Se o cidadão se fantasia de eleitor independente para votar, o cavalheiro por ele eleito se fantasia de representante do povo para legislar. Um e outro não passam de mascarados. Um e outro estão pouco ligando para as suas nobilitantes funções cívicas. No fundo tudo é pândega.

 

Também pensei em transcrever, para comentar o triste fato daqueles  Chicos Buarques que fazem abaixo assinado para apoiar uma candidata, mas não se lembram de fazê-lo quando há casos graves de quebra de sigilo, quando Francenildos são acossados pelo partidão, também pensei em transcrever uma crônica atualíssima do Mário de Andrade, que começa assim: “O vício da gente se esquecer das suas próprias faculdades pensantes é bastante comum. Mesmo entre os que pensam”.

Mas a minha decepção pelo debate(?) obscurantista, neo-religioso, que hoje se trava entre Serra e Dilma é tão grande que prefiro escrever sobre mim. Sou mais interessante do que a eleição, e sei muito bem meu tamanho. Nem pra mais, nem pra menos. O que eu queria dizer: é que a felicidade maior da minha vida é ter chegado a um ponto em que minha casa parece não ter mais por onde enfiar livro e papel.


O triste legado de Marina

Outdoor do pastor Silas Malafaia, veiculado durante as eleições de 2010.


Marina Silva foi a grande surpresa dessa eleição, tudo mundo sabe. Com um partido relativamente pequeno, que lhe rendeu pouco tempo na TV, foi capaz de quebrar o plebiscito já antigo e desgastado entre PSDB e PT. Marina soube arregimentar os votos de ex-petistas, decepcionados com o rumo do partido, além claro de quem esperava mais firmeza oposicionista de José Serra. Além disso, a candidata do PV também foi considerada a alternativa progressista, representante do que há de mais novo na política, que ela mesmo auto-definiu como “a política do século 21″. Boa parte dos seus votos veio de viados e gente que pensa um pouco mais.

Campanha de Serra defenderá "valores cristãos". Isso significa também um "não" ao casamento gay?

Mas não só: Marina também recebeu votos de uma parcela significativa do eleitorado evangélico e moralmente conservador. Se teremos o segundo turno, a causa se deve em grande medida dos votos dos conservadores que Marina conseguiu retirar de Dilma, após a candidata petista se envolver numa polêmica contra o aborto. A verde também desde o princípio se colocou contra o casamento gay e a criminalização da homofobia.

Em busca do apoio dos evangélicos, Dilma disse, em declaração publicada pela Folha de SP (07/10/10), ser contra a criminalização da homofobia.

 

Nesse começo de segundo turno, Marina tem produzido um efeito triste: tanto Serra quanto Dilma se tornaram mais conservadores do que já eram, em busca dos votos dos que defendem “a moral e a família”. É de dar medo. Nessa última semana, os dois candidatos se reuniram com líderes religiosos e não hesitaram em se dizerem contra a legalização do aborto e contra a aprovação da lei que torna a homofobia um crime. Não precisamos de que Dilma ou Serra se sentem à mesa com esses representantes da moral e da família. Precisamos, de fato, de uma nova política, realmente comprometida com os novos paradigmas, que sem dúvida passam pela desidiotização de uma certa moralidade. A eleição deveria servir justamente para esclarecer a sociedade, mostrar que se quisermos realmente deixar de ser uma republiqueta das bananas devemos abraçar de vez a democracia, permitindo a todos os direitos civis. O legado de Marina, infelizmente, não foi colocar em cena uma política do século 21, mas trazer o que há de mais arcaico na política do século passado – que está no cerne de regimes totalitários como o nazismo: a defesa de valores morais como justificativa para a perseguição dos pecadores.


A vida não tem preço:

O melhor do dia foi o Vesgo lamentando (ironia!) a derrota do candidato lulista Netinho de Paula.


“Aqui é tudo azul, tudo maravilhoso”

Mas ê, Brasil!


É isso mesmo?

É isso mesmo ou estou muito enganado?

Ou não entendi direito ou o eleitorado brasileiro vai dar o principal cargo executivo a uma mulher-fantoche, única figura a sobrar depois que os petistas que lhe dirigem a cabeça, José Dirceu, Palocci, Genuíno, foram sendo excluídos da lista dos presidenciáveis por causa dos sucessivos escândalos e mais rasteiros jogos políticos. Ou eu estou enganado, ou será eleita uma mulher que representa um governo que faz uso dos instrumentos comunistóides anti-democráticos mais sórdidos, como a aparelhagem do Estado por camaradas do partidão para que eles possam se valer dos instrumentos estatais para tentar deslegitimar os opositores, como tem ficado cada vez mais claro com as sucessivas quebras de sigilo fiscal de todos que se colocam no caminho do projeto de poder do PT. Ou eu muitíssimo me engano ou a monstruosa votação que essa mulher está prestes a ter é fruto de um lado da compra de votos via bolsa-família e, de outro, é fruto do silêncio e da desonestidade intelectual de muita gente pensante que prefere não ver tudo isso que está em jogo, para não abandonar um anti-PSDBismo idiota e ultrapassado.

Ou muito me engano ou Dilma é a materialização do retrocesso do pensamento político brasileiro. O seus eleitores não votam nela, não votam nessa auto-proclamada “mãe dos pobres“, votam num nome indicado de um líder popular e populista. Dilma é a manifestação de um processo através do qual pessoas deixam de investigar as propostas e o histórico dos candidatos, para se apegarem a um nome ditado por um líder, por um homem que se tornou (ai de nós) símbolo do Estado. Lula trabalhou incansavelmente para que essa eleição tivesse um caráter plebiscitário: manipulou candidaturas, convenceu Ciro Gomes a desistir do pleito, tudo para que houvesse uma dualidade PT x PSDB, FHC x Lula, Sim ou Não. Ou muito me engano ou a transferência de voto imediata de Lula para Dilma ainda nos trará uma situação anti-democrática, chavista, de duradouros plebiscitos que coroam uma falsa liberdade. Ou muito me engano ou a provável confirmação lulismo é o que mais de arcaico pode haver em termos de política.


Finalmente algo mais realista no morno debate eleitoral-2010

Simplesmente perfeito o modo como os apresentadores do JN conduziram entrevista da Dilma, na edição de hoje. O Bonner e a Fátima não deram refresco pra candidata lulista, não deram espaço para respostas tangenciais, pra textos pré-fabricados, discursos propagandistas do vazio.  Dilma mais uma vez se mostrou nervosa, suou, confundiu baixada santista com b. fluminense e não soube (não quis) responder o porquê da aliança do PT com Sarney, Collor, R. Calheiros.

Tomara que as próximas, com Marina amanhã e Serra na quarta, também sejam assim, provocadoras, tocando nos pontos fracos dos candidatos, naquilo que eles farão questão de esconder no horário eleitoral.


Porque não voto em Marina:

Marina afirma no Piauí que é contra o casamento entre gays

A candidata do PV à Presidência, Marina Silva, afirmou na noite deste sábado, após seu primeiro comício de campanha, que é contra o casamento entre os homossexuais aprovado na Argentina.

Em Teresina, no Piauí, Marina foi cercada por evangélicos que queriam saber da candidata qual sua posição sobre o matrimônio dos gays. Ela foi incisiva: “A gente não pode fazer o discurso do ódio contra essas pessoas. Eu não apoio (o casamento gay), mas a minha relação é de respeito e de não promover a discriminação”.

(Folha, texto completo)


Falência geral de tudo por causa de todos!

O que dizer da disputa presidencial deste ano? O Datafolha hoje mostra Dilma e Serra empatados e Marina bem atrás, com dificuldades para superar os seus 10%. Resultado semelhante ao do Ibope divulgado na semana passada, que mostrava Dilma com leve vantagem em relação a Serra. Pesquisas, claro, não podem ser apontadas como uma verdade eleitoral, apenas medem um momento. Vide a excepcional reportagem da piauí sobre como são realizadas as pesquisas.

Mas algo começa a ficar claro: Dilma e Serra devem mesmo polarizar a disputa, tal como queria Lula, que desejava um pleito plebiscitário, já que Marina não se mostrou, até agora, capaz de oferecer uma alternativa ao falso embate PSDB e PT. Dilma e Serra não apresentaram propostas. A candidata lulista é só uma aberração política, um fantoche sem alma própria, inflada pela sombra de Lula. A única coisa que Dilma tem a oferecer é dar prosseguimento ao lulismo, que se funda na tríade: aparelhagem do Estado por sindicalistas, vale-tudo político (que inclui aliança com gente como J. Sarney, Collor, Renan Calheiros e derivados) e distribuição demagoga de dinheiro, através dos programas assistencialistas. Tudo isso, claro, regado por uma publicidade monstruosa, que prega que “estamos vivendo um novo Brasil” e que vai tudo muito bem, graças a ele, Lula.

O PSDB entrou com vários pedidos de multa ao PT por campanha eleitoral antecipada. Lula foi multado mais de uma vez. Criminosamente, o petismo colocou a candidata-poste no ar, falando de si mesmo, como se já pudesse haver campanha. O PSDB, corretamente, reclamou. Dias depois, porém, os tucanos colocaram no ar um comercial no qual J. Serra aparecia contando a sua história de vida e, depois de destacar que o candidato era de “origem pobre, filho de vendedores de fruta”, o locutor destacava: “a experiência pode fazer melhor”. Criminosamente, o tucanismo colocou o candidato-recém-empobrecido no ar, como se não fosse ilegal a campanha antecipada. Como se a lei se tivesse que ser aplicada ao PT. Como se valesse tudo.

A campanha eleitoral provavelmente irá aprofundar esse vale-tudo. O PT mais uma vez tentou organizar um dossiê. Mais à frente, devem insistir na mentira-em-que-todos-acreditaram-em-2006 de que se o PSDB ganhar, a Petrobrás e tudo-que-existe serão privatizados. Do outro lado, José Serra repetirá que criou os genéricos. Até agora, de concreto, ele nada propôs. Ao contrário, teve que aceitar um vice desconhecido, cedendo às pressões dos caciques do DEM. No final das contas, mostrou-se como um candidato incapaz de romper com o conchavo político, que se tornou a marca mais significativa do lulismo. Ai de nós.

[Ps: As pesquisas também mostram um recorde de popularidade para Lula. Segundo o Datafolha, 78% acham o governo lulistas bom/ótimo e só 5% acham ruim/péssimo. Segundo a Wikipedia, Lula ganha até mesmo de Deus, já que 7,4% dos brasileiros se declaram ateus. Ai de todos nós]


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