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  Meu único desejo, dentre todos que tenho pra 2010, é conhecer a Marambaia, quando for ao Rio em Janeiro, cantando “Querida”, do Tom. E rolando na areia de tanto amor.

 

E hoje, logo cedo, li uma frase de Martin Heidegger e ainda não entendi como não tive uma síncope, por ela explicar tanto o meu estar no mundo:

 

 “permanecer pequeno diante do terror secreto da presença de tudo que é inicial”.

 

  Isso é um poema inteiro. De uma compreensão…

 

Fiz o teste para saber qual livro eu sou e deu que sou uma biografia, mas especificamente, a da Carmen, escrita pelo Ruy Castro:
 
 Boa história é com você mesmo. Adora ouvir, contar, recontar. As de pessoas interessantes e revolucionárias são as suas preferidas. Tem gente que liga para você só para saber das últimas fofocas. E confesse: com seu jeitinho manso e detalhista, você dá aos fatos um sabor todo especial. Além disso, não se contenta em reproduzir o que já foi dito. Por isso, se fosse um livro, você só poderia ser uma boa biografia, daquelas que faz os leitores deitarem na rede do fim de semana e se entregarem às peripécias de uma grande personagem. Aliás, você já pensou na profissão de repórter? Ou de escritor?

“Carmen – Uma Biografia” (2005), sobre Carmen Miranda, é uma das aclamadas biografias publicadas por Ruy Castro, também jornalista e tradutor, considerado um dos maiores biógrafos brasileiros.
 
O  mais curioso é que esse teste é igual horóscopo, um monte de frase que a gente sabe que poderia valer pra qualquer pessoa, mas que mesmo assim a gente garante que foi escrita pra gente.
 
E esse livro me persegue desde que foi lançado, já tive várias a vezes com ele na mão pra leva-lo, mas sempre desisti. Já achei até por $30 num sebo. Antes, queria ler por causa da Carmen, que me faz explodir em:eu, sempre que boto pra tocar. Agora, quero ler pra me conhecer melhor. Rá.

 

Fernanda Drummond cravou essa semana o achado:

“não me priva dos teus olhos absurdos.”

E não precisa de mais nada, está tudo dito ali. Não precisa nem mesmo dela me contar que eram olhos de um azul impossível. A absurdez perde um pouco do efeito, quando associada à beleza da cor dos olhos. Prefiro deixar o “absurdo” com a vaguidão do verso. Repito: um achado!
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E meus olhos andam mal acostumados. Era pra eu estar em Belo Horizonte, agora. Mas vejam só como são as coisas: eu que nunca olho os emails de confirmação, nem os spams de web-checkin, resolvi ontem à noite, com a mala já arrumada, olhar. Sabe-se lá o porquê. E não é que comprei invertido? Ao invés de marcar Campinas-BH, selecionei de BH para Campinas. Resultado: tive que remarcar, pagando taxas e tarifas mais caras, e só viajo semana que vem.
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O que mais importa: é o amor outra vez.

Bebel me explicando, no programa da Astrid:

Sonhando acordada lembrava

do que então seria

estar com você por um dia

ou pra sempre… uhum

Por que há tantos kms nesse Brasil?

A tristeza da minha vida ultimamente tem sido olhar para uma parede da minha casa e achá-la pelada. É que fiz algumas mudanças e agora sinto falta de algo pra ocupar o espaço. Queria, na verdade, um pôster enorme do Vinicius ou da Estamira, mas não acho imagens em alta resolução. Uma aporrinhação.

Mas eu sou tão atualizado que só hoje fui aprender com meus alunos que Crepúsculo é um filme de vampiros(!). Uma aporrinhação.

Hoje estava vendo uma parte da novela em que aparecia mulheres no saguão de um hotel. Me dei conta de que uma viagem por agora não seria nada mal. É que estou sentindo saudades disso: de muvuca de hostel, de levantar pra pegar o horário do café e voltar a dormir, de ter medo de perder a chave do quarto. A Nanda tem me dito do aniversário dela que se aproxima e que seria uma ótima oportunidade pra ir ao Rio. É algo a se pensar, mesmo porque não apareço por lá desde fevereiro. O problema é que novembro já está comprometido com BH.

O que eu queria dizer: o que mais quero, o de que preciso é me sentir estrangeiro.

Decolei, cheguei, dancei, bebi, beijei, conheci, liguei, contei, comprei, subi morro, desci morro, subi outro morro, andei, andamos, andei, procuramos, nos perdemos, achamos, acampamos, foguerei, bebi, bebemos, dormi abraçadinho, comemos, gargalhei, cachoeiramos, descobri, me apaixonei, subimos, subamos!, me sujei, marquei, praçadaliberdadeamos, revivi, reconsiderei, recepcionei, soprei balão, revi quem me faltava, ganhei um dom quixote, abracei…

Êta vida de saudades, meu deus.

Esse texto é só mesmo para manifestar minha profunda decepção com o Samuel . É que eu ando um pouco horrorizado com a efemeridade dos relacionamentos (sim, isso ainda me escandaliza), sobretudo aqueles entre viado&viado, que não duram quase nada. Quando li o Samuca, o homem-pra-casar, contando sobre seu passeio pela loja de edredons, pensei: pelo menos um! pelo menos alguém ainda ama e sabe que nada é maior do que dar amor e receber de volta amor. Que nada: pois menos de dois meses se passaram e lá está ele, comentando sobre o fim do relacionamento. E o fim, ao que me parece, foi motivado por razões injusticáveis. (O problema talvez não seja o final, porque a solidão é o fim de quem ama, e a hora do sim é o descanso não. Ai de nós! Triste é acabar algo porque houve um motivo. O motivo é sempre falso, pois pertecence à ordem da razão, e a razão é tola porque vai em busca da certeza, da explicação, quando o amor pertence à época da dúvida.)

Claro, não sirvo de exemplo a ninguém. Todos os meus namoros fracassaram antes de completar o terceiro mês. Mas, se me é permitida uma justificativa, lá vai: é que embora eu tenha sempre defendido o amor-vinicius, só agora – quando estou irremediavelmente sozinho – entendi a dimensão da coisa: “[para viver um grande amor] é preciso sagrar-se cavalheiro e ser de sua dama por inteiro — seja lá como for”. Eu queria ser por inteiro, mas sempre me esqueci desse “seja lá como for”, que é o mais importante do texto todo. Resultado: amei mal.

Outro dia, numa mesa de bar, soltei: Mas não há nada mais supremo do que dividir sua vida com outra pessoa. Riram porque acharam a frase manoelcarlosiana. Talvez seja. Ou, talvez, a afirmação fosse inadaqueda ao contexto ou à sensibilidade das pessoas dali. Mas o que é a vida sem a banalidade ridícula de um amor? O que é eu mais quero, o de que preciso é de escolher edredons para um novo amor.

Saiu hoje na Revista da Folha uma reportagem em que aproveitaram as cores do Matisse (em exposição na Pinacoteca-SP) para apresentar alguns ambientes montados por decoradores. Gostei até. Mas preferi as cores da produtora do Almodóvar, na Serafina.


almodovar

Se eu me casar mesmo ano que vem, como pretendo, vou ver se pinto as paredes da casa com cores fortes e vibrantes. O que eu queria dizer: é que quero ter um fox paulistinha e, como não dá pra ter um cachorro morando sozinho, pretendo arrumar alguém pra dividir a responsabilidade comigo. E falo tão sério.

1) De tempos em tempos eu me apaixono por The scientist, que me diz tanta coisa. Só fico com uma pena, porque ela deveria ser tocada apenas no piano. Basta ver que a primeira parte, com o solo de piano, é muito melhor do que a da metade pra frente. Meu espírito anda muito mais piano e muito menos guitarra&bateria, talvez seja isso, também.

2) Outro dia dei-me conta: as quatro mulheres que me mandaram depoimento são as quatro mulheres da minha vida. Só faltou uma.

3) Das coisas boas que acontecem às quartas-feiras: o Samuca voltou a postar. Como não se encantar com isso: “Derramei uma parte na mesa do computador e estou achando fantástica a existência do papel-toalha, que é papel e é toalha”. (E ainda, cretinamente, diz que os posts não estão ponto – que não estejam nunca, então).

4) Ao contrário dele, eu sim, perdi o ponto disso aqui: começo a desconfiar de que eu já disse tudo o que tinha pra dizer, ou melhor, disse o que não tinha pra dizer. É provável que esse blog, prestes a completar três anos, definhe. O que há de se fazer? Também é necessário morrer, ai de nós.

O que eu estou lendo

Gramáticas da criação, George Steiner

O compromisso, Herta Müller

O complexo de Portnoy, Philip Roth

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esse povo ainda me mata