Ele até penteou o cabelo, gente!
Publicado; abril 26, 2011 Filed under: brasil, homens 2 Comments »Adorei (mesmo!) saber que isso aconteceu aqui em BH.
E lá estão os comentários, sem coerência&coesão brasileira: “Na boa… nao devemos ser homofóbicos, mas ver dois homens beijando é repugnante.. Podemos respeitar, mas isso é uma coisa que não tem como se acostumar…”, etc.
Aliás II
Publicado; novembro 24, 2010 Filed under: homens Leave a comment »Fiquei feliz em saber da existência dessa pessoa. E gostei mais ainda do comentário: “desse choque barato, raso e burro não participo”.
Ai
Publicado; setembro 10, 2010 Filed under: homens Leave a comment »Peraí, e eu ainda quero falar que sei alguma coisa da vida, depois disso aqui (irmãos, olhai – com carinho – os post de 2007 e o muitíssimo humano recado às vésperas do natal de 2008)?
Sei tudo que o amor é capaz de me dar
Publicado; agosto 6, 2010 Filed under: ego, homens, música 2 Comments »Gostei muito de ter prestado mais atenção à letra de “My Baby just cares for me”. Ah, que isso me explica muito, “my baby don’t cares for show/ for clothes/ my baby just cares for me”. É que já disse a vida é um grande jogo de tabuleiro, sendo que a casa-zero é a solidão e o ponto de chegada o casamento (ou qualquer outra palavra que signifique encontrar-se no amor, encontrar o amor). Daí, quem fica assim se importando demoradamente com certas coisas, como roupas, volta duas casas.
Mas o que eu mais gosto de dizer é que música e literatura é definitivo. Quando a pessoa gosta de Maribeth, ela tem direito a avançar 4 casas, se souber um trechinho de Rosa ou de Estamira anda 7 e se assoviar, pra mim, depois do amor, uma melodia do Roberto, salta imediatamente 13 casas. O que eu queria dizer: que em “My Baby just cares for me” há o trecho-perfeito: “Liz Taylor is not his style”. É mais o menos o que eu sinto quando vejo no last.fm de alguém Lady Gaga entre as mais tocadas. Que este alguém não é aquele que eu queria para mim, o amor que eu esperava não ter fim. L. Gaga faz a pessoa ir para prisão do banco-imobiliário da vida, a fiança é cara, o jogador fica 7 rodadas sem jogar.
[Há um grupo de bossa-jazz gaúcho, o Delicatessen (já falei aqui?), que gravou um disco exatamente com o nome dessa música. A coisa é imperdível.]
Estamira e a psiquiatria
Publicado; setembro 19, 2009 Filed under: homens Leave a comment »
Eu não me canso de falar da Estamira, eu sei. Parece até monomania. Mas é que também não me canso de constatar a riqueza do pensamento estamiriano. Hoje, saiu no Estadão uma entrevista com Elizabeth Roudinesco, historiadora da psicanálise, sobre a obra de Freud. Quando perguntada sobre o status da psiquiatria atualmente, ela respondeu:
Hoje não há mais psiquiatria. E, logo, nos damos conta de que existem cada vez mais loucos. Porque são usados apenas medicamentos, ela não funciona mais. É útil, mas não resolve. É muito interessante o que se passou na psiquiatria. Biologizaram-na. Até então, era um equivalente da psicanálise. Era uma medicina da alma. Mas a deslocaram para a biologia. Curamos a loucura? Não. Acalmamos os loucos? Sim. Vivemos um recuo de 50 anos com a psiquiatria “biologizada”.
Parece até uma paráfrase das palavras de Estamira:
Presta atenção nisso: eu conheço médico, médico, médico, médico, médico…Eles estão sabe fazendo o quê? Dopando quem quer que seja com um (!) só remédio. Não pode. O remédio, quer saber mais que Estamira? Presta atenção: o remédio é o seguinte: se fez bem, para. Dá um tempo. Se fez mal, vai lá e reclama. (…) O tal do Diazepan, então…Se eu beber diazepan, se eu sou louca, visivelmente, naturalmente, eu fico mais louca. Entendeu agora?
O impagável: que uma pessoa não-curada tenha a capacidade de ser mais coerente do que a psiquiatria: estranho mundo esse em que os remédios não curam, apenas adiam o mal até a próxima dose.
Samuel é homem-pra-casar
Publicado; junho 11, 2009 Filed under: brasil, homens 2 Comments »
"Acabo de entender tudo sobre a minha solidão"
Samuel Kobayashi é dotado(!) de uma inteligência de dar gosto: ao invés de ser uma pessoa-com-visão-crítica, ele é uma pessoa-com-visão-sintética. É que Samuel consegue atingir o nível do sutil, do comentário simples, sem ser simplista; sugere muito mais do que afirma – sem que haja aí nenhuma redução da ideia. É o biscoito fino da ironia. Não resisti ao seus textos desde que li o comentário sobre Mallu Magalhães: enquanto a turma do oba afirmava que essa garota com claros problemas de elaboração frásica era a salvação da música pop-cool nacional, e enquanto a outra parcela, as pessoas pessoas-com-visão-crítica, desconfiavam da menina, Samuel encerrou o debate, afirmando que “Mallu tem ‘mojo’” e nada mais. Invejo-o pela sua capacidade de resumir as coisas, de esvaziar a importância dos debates imbecis, e de trazer de volta o que realmente vale a pena. Enquanto eu preciso de quatro palavras para criar um conceito, o antropológico pessoa-com-visão-crítica, Samuel resume a coisa num adjetivo: os espertos (inspirou-se em Estamira?). E enquanto os espertos pós-modernos esbravejavam contra a decisão judicial que proibiu o sistema de cotas na UERJ, Samuel mostrou que, no mesmo estado, as escolas primárias tinham esgoto a céu aberto.
Que me perdoem os ignaros, mas inteligência é fundamental: Samuel é um homem-pra-casar. Abaixo, a entrevista que ele gentilmente me concedeu – através da qual ficará clara para o leitor a capacidade de síntese que eu me referia mais acima.
RC = Você foi contratado pelo Multishow. No entanto, recentemente foi flagrado ao lado de Sabrina Sato e um ator bombado norteamericano, no Pânico na TV. Qual será o próximo passo: pretende ficar na TV paga, ou pretende migrar pra TV aberta. Quer dizer, pretende chegar à toda poderosa Rede Globo?
Samuel Kobayashi = De forma alguma. Aquilo não é pra mim, dizem que é um ninho de cobras… E também isso não quer dizer que eu não seja ambicioso. Quero ser um diretor de arte melhor que Hans Donner, e como eu disse que sou ambicioso, quero ser melhor que o Jimmy Leroy, dos bons tempos da MTV, também. Só trabalharia na Rede Globo se fosse para ser assistente na cozinha de Ana Maria Braga.
RC = Num país tão sem memória como o nosso, é louvável o projeto que você tem desenvolvido no sentido de cultivar nossos ícones culturais. Graças as suas pesquisas, importantes vídeos da pré-história televisiva nacional vieram à luz. Destaco o seu imprescindível resgate da filosofia sócio-descritiva de Raimundo Fagner. Você também defende a rima segundo a qual “quem é rico mora na praia, mas quem trabalha nem tem onde morar” ou você acha que é questão de garigarigarededê, gurireriguiriguida rara, mesmo?
SK= Queria mesmo é ser um peixe, ao contrário do Rio. Agora, sério, é tudo uma questão de identificação, de ressonância magnética! Faz um tempo, vi um vídeo do Fagner, muito, mas muito antigo, e me achei tão parecido com ele! Acho que até postei sobre isso.
RC= Não sei se você tem consciência, mas você é um homem-pra-casar. Pelo menos é isso que sugere quando escreve textos tão precisos e atualiza conceitos tão essenciais para a antropologia contemporânea como o de “espertos pós-modernos”. Você tem recebido muitas propostas?
SK= Nenhuma. Casamento é coisa do passado, agora o povo quer é se juntar. E eu, homem-para-casar que sou, estou sozinho e sem cachorro. Mas isso há de mudar com a chegada de Melão. Acabo de entender tudo sobre a minha solidão.
RC= Citei recentemente um texto de Georges Palante, no qual ele afirma que nem o povão nem as mulheres compreendem a ironia. Considerando o seu comentário, de que o Brasil é o país da fotografia haja visto os álbuns do orkut e fotologs, você acha que os fotógrafos tupiniquins entenderão o que você quis dizer? (Dado sócio-artístico: a maior parte dos nossos ilustres fotógrafos, creio, é constituída de mulheres e viados, categoria animal que não foi estudada por Georges Palante, mas que, de acordo com o senso comum, são mais sensíveis do que os homens heterossexuais).
SK= Entenderão. Os fotógrafos tupiniquins entendem tudo o que eu escrevo. É uma conversa franca, sabe? Assim como eu, eles também entendem de música, de política, de moda, de beleza, de outros assuntos. Fico imaginando se não foi Georges Palante quem criou aquela chamada da revista Marie Claire, que diz “chique é ser inteligente“.
Uma inteligência que faz falta…
Publicado; fevereiro 12, 2009 Filed under: brasil, homens | Tags: Paulo Francis Leave a comment »
Ai, o Francis me mata:
“Isso me lembra a frase do Washington Luís: ‘questão social é caso de polícia’. E no Brasil é, porque é tudo índio, anárquico e se você não baixar o porrete vai haver sempre essa anarquia”.
Ney, meu ídolo!
Publicado; novembro 24, 2008 Filed under: homens | Tags: gay, Geneton Moraes Neto, Ney Latorraca, tv 2 Comments »
Eu nao gosto do Geneton Moraes Neto. Ele sempre aparece com uma entrevista pseudo-histórica do tipo: sobrinha de militar nazista revela segredos do tio torturador. Coisa de pessoa-com-visão-crítica. Mas domingo foi ao ar, na GloboNews, uma entrevista dele com o Ney Latorraca que deveria entrar pra listinha das melhores entrevistas da pós-modernidade televisiva.
-Qual foi seu maior vexame?
NEY: Eu bebi um pouco demais(…) e encontrei o José Sarney, que era presidente na época, no hotel que estava. Quando eu o vi, achei ele tão pequenininho, eu peguei na bochecha dele e disse: [voz de bebê] ah, que bunitchinho, que fofinho…
-Qual pergunta faria você levantar agora e ir embora?
NEY: Ah, aquela pergunta: que apito você toca? Falar de sexualidade em pleno século XXI é muito, né…
(a parte que ele mostra o santinho é a MELHOR!)
O Ney é figuraça. Eu me lembro dele no Irritanto Fernanda Young, dizendo: “o que me irrita é sentar numa cadeira, pouco depois de alguém… aquele quentinho do corpo da pessoa de antes é irritante”.
E é mesmo!





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