Os mandarins do tempo não têm limites

Descobri hoje que já vou começar 2011 desatualizado. É que ainda não tenho a última(?) versão do msn que permite aparecer on-line só para alguns contatos, enquanto o resto dos seres supõe ingenuamente que você está off-line. É mais um indispensável recurso desse curiosíssimo programa de conversação feito para pessoas “ocupadas”, “ausentes” e “invisíveis”, que não conversam.

Enquanto isso, meu computador, coitado, perdeu alguns movimentos (do teclado) depois que eu derramei um copo de cerveja em cima dele.


Elis disse no Programa Ensaio que o mundo anda tão estranho, que, hoje, arrumamos desculpas pra não confessarmos o quanto gostamos das pessoas. Pois eu queria mandar alguns e-mails confessando o quanto eu gosto de algumas pessoas, mas acho que não seria interpretado com honestidade. Ai de mim.


ô Adriano, tá me ouvindo?

A tristeza da minha vida é ler na Folha que, longe de mim, os CCBBs do RJ e de SP estão fazendo uma retrospectiva do Woody Allen, com todos os filmes em película, por $4. Tristeza porque o Woody é a única coisa que me interessa em cinema.


Minhas teorias sexuais – posso publicar um artigo, até

Eu sempre pensei algo mais ou menos assim: que deve haver qualquer coisa em algumas pessoas – qualquer coisa biológica – que explique a atração que elas provocam em outrem. Penso, sobretudo, em algumas pessoas nitidamente feias, mas por quem eu nutro certa pulsão sexual. Mas não sei se paixão vai pelo mesmo caminho. É que o apaixonar-se é uma experiência social e, como tal, não exclui os preconceitos – o que explica a impossibilidade de se apaixonar por um feio; ainda que seja verdadeira a máxima de quem ama o feio, bonito lhe parece, mas a segunda metade do ditado confirma a teoria. Ou por outra: é impossível se apaixonar por uma pessoa ignorante, mas é perfeitamente possível que um indivíduo pertencente a essa classe tenha algum tipo de gene capaz de despertar os hormônios de um outro indíviduo, intelectualmente superior. A pulsão sexual me parece cada vez mais relacionada a uma explicação genética, o que não é propriamente uma novidade, basta ler Zola. O que ainda me parece ser necessário diferenciar não é tanto a pulsão sexual da paixão , mas sim a primeira do ato sexual, em si. É que o sexo é uma conjunção de variáveis, incluindo-se aí a perspectiva social. É perfeitamente possível sentir-se atraído sexualmente por uma pessoa, sem jamais desejar fazer sexo com ela. Que me perdoem a pobreza da metáfora, mas o sexo é mais ou menos como falar uma língua, há pessoas que decididamente falam outra língua e com as quais é escusado tentar chegar a um acordo linguístico – mesmo que você se sinta atraído por elas. Como saldo, o feio pode despertar a pulsão sexual, mas dificilmente consumará o ato senão com alguém da sua classe.


Acorda, minina

 

Ando com tanta preguiça, que só hoje fui ver as fotos da posse do Obama. Foi assim EM-POL-GA-DÍ-SSI-MA, as Obaminhas que o digam:

 

 filhasobama1


Pra falar tudo de uma vez só, bjs

 

- Li hoje na Folha, uma entrevista com a Jake, aquela do Pó pará com o pó. Ela disse que “mesmo com o sucesso, pretende não esquecer das origens”. Menos, fofa.

 

- O Caê que comenta até velório de periquito, já falou da mulher no blog dele. Ah, e eu discordo: pra mim, viado tem que ser grafado com “i” e não com “e”.

 

-  A reunião da Bahia só tem gente boa: Lula, Morales, Chaves, Raul Castro, Rafael Correa e Cristina Kirchner. E depois reclamam quando pensam que a América-latina é um território habitado por índios promíscuos, onças e pilantras. Pena que os EUA desistiram de tentar consertar isso aqui.

 

- E outra coisa: reunião na Bahia não pode dar certo. É uma anti-naturalidade.

 

- Eu sou o único que acha ridículo uma véia de 50 anos ficar rodopiando seminua? Alguém por favor avisa que o figurino está desapropriado. Acho tão antes de ontem.

 

- Por isso é que às vezes eu faço a Dóris: o mundo é dos jovens, minhagente.  

 

  


O messias negro e as criancinhas do Senegal

 08310351

  

 

Hoje o mundo mudou. Nunca mais seremos os mesmos. A humanidade finalmente deu o grande salto em direção à paz. A partir de agora viveremos num mundo onde as diferenças não serão motivo de contendas entre os homens. Nunca na história desse planeta houve tanto consenso em torno de uma mesma crença: a de que Barack Obama é o nosso messias. É provável que, “nessa quarta-feira histórica”, tenha mais prestígio do que Jesus Cristo. Confesso que de tardezinha, fiquei uns quinze minutos olhando pro céu, esperando soar alguma trombeta.

 

Como tudo nessa vida, passado o momento do oba!, chegaremos logo (sou otimista!) ao epa! e veremos que o mundo ficou pior com a eleição de Obama. O que mais se disse hoje é que a eleição de um negro, mostra que entramos num momento histórico. Bobagem. Todo mundo sabe que o maior cabo eleitoral do Obama não foi a sua pele cheinha de melanina: foi o Bush. O voto anti-Bush elegeria qualquer um: branco, negro, japonês, mulher, índio e suspeito que até viado.

 

O perigo da eleição de Obama é esse discurso de que a fracassados-unidos-fazem-a-força-para-mudar-esse-mundo. Alguém poderia fazer uma pesquisa pra quantificar com mais exatidão, mas toda vez que um norte-americano se sente “fraco”, aproximadamente, 30 crianças morrem de fome na China. O que o mundo precisava, agora, é que os americanos fossem arrogantes: arrogância combina com consumo, com produção, com geração de riqueza. Toda vez que baixa o santo da soberba num morador de Ohio, 35 jovens conseguem emprego numa fábrica de calçados no Vietnã.

 

McCain não era Bush e todo mundo sabia disso: inclusive o Obama que, mesmo assim, insistia na comparação. Lembro de um debate em que o democrata só falava disso, até que o McCain rebateu: por que você não se candidatou na última eleição, já que você fala tanto do Bush? Todo mundo sabia da diferença. Mas todos – falo não só dos americanos – preferiram ir no balanço do Obama. A mensagem que fica é: agora é a hora da América ser humilde. É emocionante, é lindo, é coração, é paz, é multicultural, é Oprah Winfrey. Pior pras criancinhas senegalesas (afro-originais) que irão morrer, antes de completar um ano: coitadas.

 

 

 


E agora, comofas

A verdade é que eu não consigo saber o que pensar dessa história toda: um mundo de contradições, que fica difícil saber se o pacote é o não a melhor saída.

 

 - Sempre fui a favor de uma não-intervenção estatal, mas no caso dessa crise, ou é intervenção ou é o caos-total.

 

- O problema é que os esquerdóides de plantão se divertem. Na Folha de ontem, Naomi Klein perguntava: “se o Estado pode intervir para salvar grandes corporações que assumiram riscos insensatos(…), por que não pode intervir para salvar milhões de americanos do risco de perderem suas casas?” Ora, mas se os bancos quebrarem, os maiores prejudicados serão justamente aqueles pobres que tinham dinheiro aplicado nesses bancos.

 

- De fato, é uma contradição da superideologia: Wall Street passou oito décadas defendendo uma economia livre do Estado, agora, implora pelo pacote.

 

-  O mais contraditório, no entanto, é ver um governo Republicano lutar para conseguir aprovar um pacote de intervenção como este.

 

- O artigo do Gullar na Ilustrada de ontem, mostra que ele é uma das mentes mais lúcidas desse país.

 

- Nada a ver, mas o dia do centenário da morte do Machado entra pra história como o pior dia da história da economia mundial. Isto é: por enquanto…  

 


conversinhas

 

- Ê, vontade de ter tuuudo dessa estante, viu.

 

- Esse flickr, que eu vi no blog do Samuel, é coisinha linda de deus.

 

- E é bem legal poder ver em um blog, as estampas que vão parar nas camisas da Cavalera. Embora eu tenha pra mim que a marca se empenhe em fazer design e esqueça de fazer moda.

 

-  Ontem revi também o Abril despedaçado, na mostra que eu já tinha comentado aqui. Só então me dei conta do contraste entre o movimento circular da moenda de cana com os bois e o rodopio da namoradinha do Santoro no filme. Aliás o menino que faz o irmão dele é o melhor personagem da história. E o mérito disso é todo do Walter.

 

- Camisetas e mais lojinhas de camisetas: Este lado para cima, Ligaretro, Modasupimpa, Samambaia, Fervor.

 

- E pena que isso não tem no Brasil.

 

- Matéria do Jornal da Globo de ontem, sobre o Justice. E eu super pegaria o Xavier de Rosnay, ficadica.

 


Crescei e multiplicai-vos!

 

Ontem uma amiga me mandou a foto do ultra-som da filhinha dela. Pois me surpreendi bastante: primeiro com a qualidade da imagem: dava pra ver todo o rostinho, a boquinha e até arriscaria dizer que o narizinho é igual ao da mãe. Uma coisa perigosa isso de conseguir ver o bebê em seu estágio de pré-mundo. Como se fosse dado ao homem o direito de ver a si mesmo, quando o sono uterino nos permite adiar a vida.

 

E, depois disso, me veio isso: pôxavida, que  loucura isso de ter um filho dentro você. Uma loucura das boas, é claro.

 

Ps: por essas e outras, eu estou começando a dar razão ao Nelson Rodrigues, quando ele diz que tem um profundo desprezo por aqueles que não acreditam na alma humana.

 

 


Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.